As melhores aberturas de novelas



Brega & chique estreou recentemente no canal Viva e a abertura da novela já entrou no ranking das minhas preferidas. Exibida originalmente há pouco mais de três décadas, ela espreme o puro suco dos anos 1980. Mulheres vestidas como na capa de uma edição de Manequim ou Moda Moldes, um Bananarama brasileiro com a presença de Dóris Giesse, desfilam fumando um cigarrão Charm ao som da música com clima Grease do Ultraje a rigor (hoje argh), “Pelado, pelado, nu com a mão no bolso, uh, uh, uh, uh”.


Na apoteótica conclusão, um derrière masculino, assim, au naturel, aparece na tela, fazendo a alegria de quem não se importa em observar uma bela retaguarda, no caso a do modelo Vinícius Manne. Até tentaram cobrir com uma folhinha depois que alguns pudicos chiaram, mas, felizmente, venceu a raba desnuda (falando nisso, tenho um post adormecido sobre a era da bunda na música, me lembrem depois de postar).




Aproveitando o ensejo, resolvi elencar as melhores aberturas de novela de que tenho notícia, tirando a já citada, claro, nos mesmos modelos de outro top 10, este das séries americanas. Reduzi às tramas globais e àquelas às quais assisti, seja ao vivo, em anos acompanhando o Vídeo Show ou no YouTube. Eis.




Dancin’ days (1978/1979)
O clima traduzia a onda da discoteca que dominava o mundo todo. Uma das coisas que acho mais legal nela é a fonte usada, bem diferente da tradicional Arial global, o meu forte é a rima. E outra: imagina que delícia calçar as polainas antes de ir para a boate New Aquarius ao ritmo dessa batida?




Tieta (1989/1990)
Li certa vez que o tema da novela seria uma música, sei lá, da Nana Caymmi (outro argh)… Mas Boni achou pesado demais, pegou um bloquinho e escreveu a letra que começava com “VEM COM AMOR, VEM COM CALOR”. Luiz Caldas cantou, Isadora Ribeiro estrelou e Santana do Agreste nunca mais foi a mesma.




Rainha da sucata (1990)
Num estilo “defeitos especiais” mais coerentes com o Chaves, ferros de passar, molas, dentre outros itens jogados fora, se reúnem numa revolução das máquinas regada a… LAMBADA! Aquela cabeça de ventilador dançando, para mim, é imbatível. Até hoje.




Vamp (1991/1992)
Xodó infantojuvenil da época, mostra-se nos créditos iniciais uma aventura onde entendemos rapidamente o enredo. Na calada. Da noite. Da noite pretaaaaaaaaa. Ao fim, Natasha (Claudia Ohana), cliques, glamour, talvez o motivo pelo qual muitos homens hoje com mais de 30 anos são fãs de Lady Gaga.




Despedida de solteiro (1992/1993)
Com tema dos anos 1960 em ritmo poperô, manteve os jovens vidrados na tela entre uma partida e outra no Super Nintendo ou Mega Drive. É a cara da minha época. Então, para citar Icona Pop, “you’re from the seventies, but I’m a nineties bitch”.




Deus nos acuda (1992/1993)
O designer Hans Donner está para a abertura de novelas assim como Steven Spielberg está para a direção cinematográfica e não é exagero afirmar: esta é a obra-prima de um dos gringos mais brasileiros de todos os tempos. Enquanto nosso país afunda na lama, dançam os marajás. Já disse em outra ocasião e repito: continua mais atual do que nunca.




Por amor (1997/1998)
Apesar de ter Regina Duarte em destaque, e eu realmente não consigo mais, vocês devem desconfiar do motivo, essa espécie de vídeo caseiro familiar, com fotos reais dela com a filha, Gabriela, é um novo clássico do gênero. Se fosse exibida hoje, talvez seria substituída por um feed do Instagram.




Verão 90 (2019)
Acho que já ficou bem claro: os anos 1990 foram os melhores para o segmento das aberturas de novelas. Nada mais justo do que essa homenagem muito bem pensada que mistura facas Ginsu com telefones Tijorola ao som de PUMP THE MOTHAFUCKIN’ JAM.




Órfãos da terra (2019)
Tem que ser muito boa mesmo para me fazer apoiar os Tribalistas. E é. Bonita, entrega o básico da história e faz o espectador entrar no clima. Aquele final, com parte do elenco reunida, de gênio. Uma das melhores aberturas dos últimos tempos.




A dona do pedaço (2019)
Se a novela fosse 1% boa quanto a abertura, eu não teria passado raiva por seis meses. Mas vida que segue. O tema de Xande de Pilares junto das cenas de bolo criou o clima perfeito. O problema era que ela acabava e começava o capítulo. Bom, não se pode ter tudo.







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