Drugstore – Séries para o isolamento social



Esse período longe da rotina pode ser bem difícil para todos nós. Precisamos ficar em casa, lavar as mãos, cuidarmos de corpo e mente. Portanto, alguns escapes são necessários. Para esse período ser um pouco mais leve, recomendo aqui séries que adorei nos últimos anos. Elas estão disponíveis em vários serviços de streaming. Escolham as suas favoritas. Façam maratona. Não saiam. Tamo junto. Vai passar.









The good wife
(2009-2016) – 7 temporadas – 156 episódios
Disponível na Globoplay


Eu adoro filmes e séries de tribunal americano. Se algum dia for preso, já tenho um “OBJEÇÃO, MERETÍSSIMO” pronto no meu roteiro. Pois muito que bem. Dito isso, afirmo de cadeira: The good wife é um dos melhores dramas deste gênero na telinha, talvez o programa mais adulto da TV aberta dos EUA no período em que foi exibido. Gerou, anos depois, um spin-off, também ótimo, The good fight.


Alicia Florrick (Julianna Margulies), esposa do procurador-geral de Illinois, Peter (Chris Noth), o Big de Sex and the city, vira destaque em todos os telejornais quando o caso extra-conjugal do marido vira um escândalo. Depois de mais de uma década cuidando do marido e dos filhos exclusivamente, ela volta a exercer a advocacia, começando do zero na empresa do ex-namorado da faculdade.









Downton Abbey
(2010-2015) – 6 temporadas – 52 episódios
Disponível no Amazon Prime Video


O dia começa como outro qualquer na casa dos aristocratas britânicos Crawley. Os empregados preparam o café da manhã, acordam os patrões e entregam os jornais. É aí que eles descobrem a morte de um herdeiro distante da família, fato que força o jovem Matthew (Dan Stevens) a adentrar neste clã. As relações entre eles, bem como as dos funcionários, são o mote da série, que retrata a Inglaterra pós-vitoriana um pouco antes do século XX chegar, de fato, à propriedade chamada Downton.


Quando me recomendaram essa série, fiquei um pouco hesitante. Tinha cara de um sonífero daqueles. Mas não era. Pelo contrário. É tipo um novelão das seis de época, daqueles dos bons. E tudo é lindo. O texto, o figurino, socorro, eu chorava logo na abertura. Recentemente rendeu até um filme. Vai por mim.









Mindhunter
(2017 – ) – 2 temporadas – 19 episódios
Disponível na Netflix


Falar que eu curto um bom suspense, especialmente baseado em histórias reais, é chover no molhado a essa altura do campeonato. Mas tem que ter qualidade. E esse, felizmente, é o caso aqui. Com produção de David Fincher (Seven – Os sete crimes capitais, Zodíaco), que dirige também alguns episódios, a série conta mais sobre a formação do núcleo de ciências comportamentais do FBI na década de 1970.


Mindhunter segue a fórmula “dois policiais muito diferentes um do outro forçados a trabalhar juntos” que a gente ama. Os detetives Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany), com a ajuda da psicóloga Wendy Carr (Anna Torv), vão percorrer os EUA atrás dos maiores serial killers da história americana para tentar prevenir futuros assassinatos em série. Aviso logo: assista de dia para não ter que dormir de luz acesa, seu pai é dono da CEB?









The crown
(2016 – ) – 3 temporadas – 30 episódios
Disponível na Netflix


Elizabeth Alexandra Mary, filha de uma abastada família inglesa, provavelmente passaria a vida numa boa, aproveitando as benesses herdadas dos antepassados. Mas o tio dela, o rei, resolve renunciar ao cargo para se casar com uma plebéia divorciada. Por causa disso, ela será a sucessora do pai, o novo monarca. Se esse mote lhe parece familiar é porque ele é mesmo. Essa Elizabeth aí é a Elizabeth II e The crown trata exatamente sobre a rainha da Inglaterra.


O diferencial aqui é a roupagem finíssima dada aos fatos. Em três temporadas até agora, com duas levas de atores simbolizando a passagem do tempo, a série só mostrou coisas boas: roteiros maravilhosos com a dose certa de realidade e fantasia, direção de arte, fotografia e figurinos primorosos e interpretações acertadas. Programaço!









How to get away with murder
(2014 – ) – 6 temporadas – 90 episódios
Disponível na Netflix


No primeiro dia de aula dos alunos da professora Annalise Keating, ao invés da redação “Minhas Férias” eles devem descobrir como encobrir um assassinato. Nossa, eu tô ficando bom em resumos bombásticos, hein? Mas é bem isso mesmo. Ela é fodona, estrela dos tribunais e acolhe apenas os melhores estudantes em seu disputadíssimo estágio da faculdade de Direito.


Claro que vai rolar uma morte, claro que vão rolar reviravoltas, claro que você não vai conseguir parar de assistir, ou então pra que eu estaria recomendando isso aqui? Ah, sim, e tem a minha, a sua, a nossa Viola, minha viola, Viola Davis. Corre e pega logo o controle remoto.







Crédito das imagens: DVDbash, DVD Planet Store, HDvnn.Net, Buro-u, Olori Supergal, Movies Rankings, Fanart.tv, Twitter, My Take on TV e Diva’s Diary.

As melhores aberturas de novelas



Brega & chique estreou recentemente no canal Viva e a abertura da novela já entrou no ranking das minhas preferidas. Exibida originalmente há pouco mais de três décadas, ela espreme o puro suco dos anos 1980. Mulheres vestidas como na capa de uma edição de Manequim ou Moda Moldes, um Bananarama brasileiro com a presença de Dóris Giesse, desfilam fumando um cigarrão Charm ao som da música com clima Grease do Ultraje a rigor (hoje argh), “Pelado, pelado, nu com a mão no bolso, uh, uh, uh, uh”.


Na apoteótica conclusão, um derrière masculino, assim, au naturel, aparece na tela, fazendo a alegria de quem não se importa em observar uma bela retaguarda, no caso a do modelo Vinícius Manne. Até tentaram cobrir com uma folhinha depois que alguns pudicos chiaram, mas, felizmente, venceu a raba desnuda (falando nisso, tenho um post adormecido sobre a era da bunda na música, me lembrem depois de postar).




Aproveitando o ensejo, resolvi elencar as melhores aberturas de novela de que tenho notícia, tirando a já citada, claro, nos mesmos modelos de outro top 10, este das séries americanas. Reduzi às tramas globais e àquelas às quais assisti, seja ao vivo, em anos acompanhando o Vídeo Show ou no YouTube. Eis.




Dancin’ days (1978/1979)
O clima traduzia a onda da discoteca que dominava o mundo todo. Uma das coisas que acho mais legal nela é a fonte usada, bem diferente da tradicional Arial global, o meu forte é a rima. E outra: imagina que delícia calçar as polainas antes de ir para a boate New Aquarius ao ritmo dessa batida?




Tieta (1989/1990)
Li certa vez que o tema da novela seria uma música, sei lá, da Nana Caymmi (outro argh)… Mas Boni achou pesado demais, pegou um bloquinho e escreveu a letra que começava com “VEM COM AMOR, VEM COM CALOR”. Luiz Caldas cantou, Isadora Ribeiro estrelou e Santana do Agreste nunca mais foi a mesma.




Rainha da sucata (1990)
Num estilo “defeitos especiais” mais coerentes com o Chaves, ferros de passar, molas, dentre outros itens jogados fora, se reúnem numa revolução das máquinas regada a… LAMBADA! Aquela cabeça de ventilador dançando, para mim, é imbatível. Até hoje.




Vamp (1991/1992)
Xodó infantojuvenil da época, mostra-se nos créditos iniciais uma aventura onde entendemos rapidamente o enredo. Na calada. Da noite. Da noite pretaaaaaaaaa. Ao fim, Natasha (Claudia Ohana), cliques, glamour, talvez o motivo pelo qual muitos homens hoje com mais de 30 anos são fãs de Lady Gaga.




Despedida de solteiro (1992/1993)
Com tema dos anos 1960 em ritmo poperô, manteve os jovens vidrados na tela entre uma partida e outra no Super Nintendo ou Mega Drive. É a cara da minha época. Então, para citar Icona Pop, “you’re from the seventies, but I’m a nineties bitch”.




Deus nos acuda (1992/1993)
O designer Hans Donner está para a abertura de novelas assim como Steven Spielberg está para a direção cinematográfica e não é exagero afirmar: esta é a obra-prima de um dos gringos mais brasileiros de todos os tempos. Enquanto nosso país afunda na lama, dançam os marajás. Já disse em outra ocasião e repito: continua mais atual do que nunca.




Por amor (1997/1998)
Apesar de ter Regina Duarte em destaque, e eu realmente não consigo mais, vocês devem desconfiar do motivo, essa espécie de vídeo caseiro familiar, com fotos reais dela com a filha, Gabriela, é um novo clássico do gênero. Se fosse exibida hoje, talvez seria substituída por um feed do Instagram.




Verão 90 (2019)
Acho que já ficou bem claro: os anos 1990 foram os melhores para o segmento das aberturas de novelas. Nada mais justo do que essa homenagem muito bem pensada que mistura facas Ginsu com telefones Tijorola ao som de PUMP THE MOTHAFUCKIN’ JAM.




Órfãos da terra (2019)
Tem que ser muito boa mesmo para me fazer apoiar os Tribalistas. E é. Bonita, entrega o básico da história e faz o espectador entrar no clima. Aquele final, com parte do elenco reunida, de gênio. Uma das melhores aberturas dos últimos tempos.




A dona do pedaço (2019)
Se a novela fosse 1% boa quanto a abertura, eu não teria passado raiva por seis meses. Mas vida que segue. O tema de Xande de Pilares junto das cenas de bolo criou o clima perfeito. O problema era que ela acabava e começava o capítulo. Bom, não se pode ter tudo.







Crédito da imagem: Twitter.

Não deixem a audiência estragar “Amor de mãe”



Para mim, noveleiro de carteirinha, Amor de mãe foi um alívio na programação. Depois de algumas experiências malsucedidas no horário das nove, a Globo investia, enfim, em uma trama adulta, madura e, principalmente, ousada.


Estreante na faixa, Manuela Dias montou uma verdadeira teia onde as histórias se misturam a torto e a direito, tudo feito de maneira sutil e com acertos no elenco, direção e fotografia. Agora, meu maior medo é que esta experiência completa dê errado pelo motivo supostamente certo: a audiência.





Há menos de um mês, notícias davam por conta de que, na luta por maiores índices no Ibope, a novela teria mudanças, dentre elas mais humor e menos invencionices no comando das câmeras, por exemplo. Passado um tempo, essas modificações são notáveis.


Algumas foram bola dentro, por exemplo Lurdes (Regina Casé) no avião pela primeira vez e também tomando um porre de gin tônica com Lídia (Malu Galli). Mas e outros enredos? Ficaram menos desafiadores por conta da cobrança de mais TVs ligadas na Globo ou sempre estiveram nos planos à longo prazo?


Já havia lido um comentário, não lembro onde, sobre alguns personagens da trama e seus desvios de rota, o qual concordei. A professora Camila (Jéssica Ellen), por exemplo. Mulher corajosa, ela enfrentou Álvaro (Irandhir Santos), Deus e todo mundo, tomou tiro, fez discursos inesquecíveis… De repente ficou só no chororô, enredada na trama do filho gerado pela sogra.





Vitória (Taís Araújo) foi outra que andou para trás no tabuleiro. A Olivia Pope do Leblon ficou pobre e perdeu o juízo. Pegou dinheiro com agiota, Penha (Clarissa Pinheiro), a mesma que há um mês engolia os desmandos da patroa. Agora a ex-empregada doméstica aterroriza geral junto de Leila Beatrix Kiddo (Arieta Corrêa), Thelma & Louise do Passeio.


Ainda temos muito mais. Vladimir Brichta, o ambientalista Davi, se ainda estivesse estrelando Rock story às sete da noite eu nem duvidava. A história da tenista Marina (Erika Januza) não emplaca, nem desaparece. E olha que a personagem deu sorte, hein! Podia ter morrido como Vinícius (Antonio Benício), Amanda (Camila Márdila) e outros tantos. E don’t get me started nos problemas conjugais de Matias (Milhem Cortaz).





Obviamente ninguém faz nada de graça, nem por amor à arte. O principal produto de dramaturgia da maior emissora do país tem como objetivo gerar dinheiro por meio de anúncios. Não dizem que TV é aquilo que se faz entre uma propaganda e outra? Então. Mas já vimos esse filme antes. Ou melhor, essa novela. Deixar de lado a integridade artística em detrimento de mais alguns pontos de audiência pode não valer a pena no resultado final.


Tal raciocínio vale também para o fan service, expressão cunhada para aquelas modificações nas narrativas feitas apenas para agradar os fãs, muitas vezes esquecendo da criatividade que as consagrou (um artigo muito interessante sobre isso está neste artigo, Fandom is broken). Aqui no Brasil há ainda outro conceito bem peculiar, o “grupo de discussão”, isto é, quando a emissora promove rodadas de debates para saber a opinião de quem assiste às tramas.


Será que hoje, por exemplo, teríamos o mesmo final de The Sopranos se os criadores ouvissem só os desejos dos ardorosos admiradores? Talvez, como público, estejamos mais afiado do que na época de Dallas – nos anos 1980, uma temporada inteira foi transformada em “sonho” de um dos personagens quando seus índices de espectadores despencaram.





Voltando a Amor de mãe, os mais tradicionais podem até dizer que novela é novela, mocinho e mocinha, vilão malvado, temas repetitivos, tudo e tal, e isso não deveria mudar. Eu discordo. Acho que ela pode, sim, evoluir. Mesmo que para isso tenha que se reinventar, testando ainda mais a tão temida audiência.




Crédito das imagens: Wikipedia, Observatório da TV, Gshow e Twitter.