Os 10 melhores temas de 007/James Bond



Eu sei que fiz essa mesma matéria há alguns anos, mas com o lançamento do novo tema de 007, No time to die com a Billie Eilish, achei que a pauta cairia bem, desta vez, no Loz Engelis. Apresento aqui as minhas favoritas em ordem.




10. Wings – Live and let die
Com 007 viva e deixe morrer (1973)


É fato conhecido entre os que me cercam e quiçá no exterior: Beatles não é minha praia e, para mim, Paul é apenas o pai da Stella. Mas na versão Wings e com essa frenética canção para Bond, James Bond, ele entra com louvor na lista.






9. Chris Cornell – Another way to die
007 – Cassino Royale (2006)


Não existe James Bond sem a Bond Girl. Talvez seja por isso que a maioria das músicas da franquia sejam cantadas por mulheres. O saudoso Chris Cornell é um dos poucos que foge à essa regra e entrega aqui uma excelente abertura para a fase 007 estrelando Daniel Craig.






8. Carly Simon – Nobody does it better
007 – O espião que me amava (1977)


Enquanto espero ser, em um dia outonal, tal e qual Carly Simon de roupas cáqui, chiquérrima, tomando um vinho branco geladésimo, cercada de amigos artistas, cantando em Martha’s Vineyard, assim como na apresentação ao vivo de You’re so vain, me delicio ouvindo o elegantíssimo tema desta classudérrima mulher.






7. Adele – Skyfall
007 – Operação Skyfall (2012)


Embora pessoalmente não seja o maior fã do gênero sofrência ambulância das grandes divas do pop, confesso que para um bom 007 Adele e seu vozeirão sejam companhias perfeitas, assim como tramas de espionagem e maletas de metal recheadas de conteúdo misterioso.






6. Shirley Bassey – Goldfinger
007 contra Goldfinger (1964)


Se o homem do dedo de ouro soa completamente problemático e devasso, Shirley Bassey transforma a expressão em sofisticação e riqueza. São dela também outras duas músicas de Bond, Moonraker e Diamonds are forever. They won’t leave in the night, I’ve no fear that they might desert me… TAN TAN TAN TAN TAN… Shine bright like a diamond… (RIHANNA, Rock in Rio)






5. Madonna – Die another day
007 – Um novo dia para morrer (2002)


Confesso que, baseado na discografia completa de Madonna, a quem amo quase incondicionalmente, essa é uma daquelas “esconde na fanbase”. Mas se a cruzarmos com os outros temas de James Bond, certamente ela merece a ótima colocação, principalmente pelo vídeo próprio e pelas apresentações ao vivo.






4. Rita Coolidge – All time high
007 contra Octopussy (1983)


Eis uma que passava batido por mim até que, não sei como, a escutei por aí. Deve ter sido na Antena 1. Talvez na JB FM. Não importa. É daquelas pra cantar com o copo de uísque numa mão, o cigarrinho na outra. Ou quem sabe fazendo strip-tease.






3. Garbage – The world is not enough
007 – O mundo não é o bastante (1999)


Não preciso enaltecer minha amada Shirley Manson por motivos de: ela é a Shirley Manson, cacete. Então aproveito o momento para relembrar vocês deste maravilhoso tema dela + banda pontuado por um clipe ainda melhor, em que A usurpadora ganha versão escocesa em terras de Ian Fleming.






2. Sheena Easton – For your eyes only
007 – Somente para seus olhos (1981)


A ideia de “Somente para seus olhos”, a meu ver, significaria apenas uma boa leva de cartas no jogo de truco, mas com a interpretação apoteótica de Sheena Easton abandono a rodada e me posto em cima da mesa urrando a plenos pulmões e jogando para cima perigosíssimos documentos confidenciais. Essa eu assino embaixo, sem ler nada.






1. Sheryl Crow – Tomorrow never dies
007 – O amanhã nunca morre (1997)


Esse é um daqueles filmes que quem viu fez questão de esquecer. E aposto que a música também sofreu com isso. Talvez esse não seja o tema favorito de ninguém, apenas meu, mas como ignorar o drama, os diamantes, os violinos rasgando, a Sheryl Crow que eu tanto gosto, subestimada do público e da grande mídia? Se me faz feliz, não pode ser tão ruim.






Crédito das imagens: James Bond Wiki (LLD), Rick’s Cinema (CR), Amazon (NDIB e DAD), Film and TV 101 (S), Original Film Art (G), Elo7 (O), Watchrs Club (TWINE), EuroPosters (FYEO e TND).

“Björk digital” fica em cartaz até 18/8 no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo



Classificar Björk como uma artista inovadora é, no mínimo, simplista. O mundo da música é testemunha das grandes inovações trazidas por essa islandesa de 53 anos tanto em técnica (Medúlla, por exemplo, um álbum feito apenas com vozes humanas), quanto de formato. Afinal, ela transformou seus videoclipes em peças de arte. Tanto assim que agora eles são até atrações de museu. Na estrada há três anos, depois de passar por vários países, a mostra Björk digital chegou ao Brasil e fica em cartaz até 18 de agosto.


O programa evidencia as experimentações da artista com a realidade virtual. Mas não é só isso. A exposição leva os fãs e curiosos aos recantos mais íntimos dela, já que as atrações principais são os vídeos de Vulnicura, do latim “a cura das feridas”, disco que conta o fim do casamento de Björk e do artista plástico Matthew Barney: as canções abrangem o início, o meio e o fim de todo o processo deste término.


As visitas são guiadas em grupos formados por horário no Museu da Imagem e do Som em São Paulo (melhor comprar o ingresso pela internet antes). Subimos as escadas direto para a primeira sala, dedicada a Stonemilker, expressão que designa algo como “tirar leite de pedra”. É uma das canções escrita antes do divórcio, ainda em tempos de crise. Após as instruções, colocam-se os óculos de realidade virtual e os fones de ouvido. O que se abre à nossa frente impressiona. Björk cantando à sua volta, como ali ela estivesse.




Segue-se o espaço dedicado a Black lake, esta mais dramática do que a anterior, símbolo do processo de rompimento amoroso. Com o apetrecho de VR, assistimos ao vídeo por dois ângulos diferentes, imersos dentro de uma caverna feita por computador. Este mesmo clipe foi exibido em outra mostra sobre a cantora, uma retrospectiva da carreira dela no MoMa, em Nova York, em 2015, a qual eu tive o prazer de visitar. Em uma sala escura, as duas versões de Black lake eram exibidas simultaneamente em telões opostos, deixando os visitantes livres para circular e participar da experiência como lhes era conveniente.




Gravado ao vivo em show no Japão, Quicksand mostra Björk usando máscara feita em impressora 3D. Em seguida, Mouth mantra, também de Vulnicura, trata de outro assunto delicado: a cirurgia feita por ela após a descoberta de nódulo nas cordas vocais. É como entrar dentro da boca da cantora, de onde sai a voz potente e melódica que tanto encanta os fãs.







As últimas experiências são interativas e absolutamente fantásticas. Por meio de artefato que se assemelha a um joystick, costuramos linhas na tela enquanto Family é exibido em espaço separado e menor, quase individual. Por fim, em Notget, assim como na sala de Stonemilker, Björk se apresenta de pertinho, desta vez em versão high-tech, um híbrido gigante de mulher e máquina. Impressionante, só vendo.







O segundo andar reserva ainda espaço onde pode-se usar o app educativo Biophilia, baseado no disco de 2011, usado por escolas escandinavas. Completa a visita um cineminha que exibe os diversos clipes que provam: Björk é uma artista fenomenal. Em todas as dimensões.










Cinco vídeos para conhecer melhor o trabalho da cantora (e algumas historietas pessoais que provavelmente não interessam a ninguém)

Army of me
Post (1995)


Lembro da estreia dele no Vídeo show, vejam só. De cara eu já gostei do som e logo fiquei encantado com a narrativa nonsense do clipe. E também com a genética islandesa, porque lembro do Miguel Falabella contando que já tinha 30 anos apesar da cara de adolescente.






It’s oh so quiet
Post (1995)


Talvez essa seja a música mais mainstream da Björk e o vídeo não foge à regra. Bem americano, mostra a cantora em clima de musical dos anos 1950. Bom pra dar uns gritos dentro de casa (antes das 22h, por favor). Ah, é dirigido pelo Spike Jonze.






Hunter
Homogenic (1997)


Descobri essa faixa na trilha sonora de Arquivo X – O filme. Existe algo mais Björk do que isso?






Pagan poetry
Vespertine (2001)


Após uma intensa “semana do saco cheio” em 2001, voltei para casa 10h no ônibus ouvindo esse disco. O clipe ousado e poético só contribuiu para eu gostar ainda mais do tema em particular.






Declare independence
Volta (2007)


De outra fase mais pop da cantora, em que ela colaborou inclusive com Timbaland, esse tema diz muito sobre hoje, sobre tudo.







Crédito das imagens: Nick Knight e Andrew Thomas Huang.

O X da questão



Mesmo que minha lembrança mais antiga de Madonna tenha sido dela simulando masturbação no meio de um show, só me tornei fã de verdade quando ela fez 40 anos e a MTV passou uma retrospectiva com trechos de todos os clipes. Isso, meus amigos, mais duas cervejas e um celular com crédito, tava feita a desgraça.


Daí pra frente resgatei o que perdi até então, de Everybody a Frozen, me preparando para acompanhar em tempo real os novos trabalhos do maior ícone da música pop de todos os tempos. Vieram Music, American life, compilações. Chegou a vez de virar outra década em companhia dela com Madame X, lançado mundialmente hoje, 14 de junho.





Como fã confesso on a dance floor, mas consciente, admiro-a muito. Só que minha aprovação não é irrestrita. Por vezes preciso de um distanciamento, em outras nem assim (acho que nunca assisti à The Girlie Show completa).


Dito isso, não estava muito satisfeito com os rumos da carreira musical de Madonna já há uma década, desde o Hard candy. Claro que na época eu ouvi mil vezes, me descabelei, torci, defendi de coração (ainda consegui realizar um sonho, vê-la no palco for the very first time).





Não achava que ela deveria fazer sempre a mesma coisa. Madonna estava sempre um passo à frente. Por isso mesmo senti a falta de conceito, visual, de clipe, de músicas melhor trabalhadas, de singles melhor escolhidos. Por que ótimas músicas foram deixadas escondidas? A rainha do pop parecia estar correndo atrás de algum prejuízo. Fazendo aquilo que todo mundo fazia.


Madame X parece quebrar isso. Tudo começou, por incrível que pareça, em Portugal. Mãezonna, foi para a terra de nossos patrícios apoiar o filho David Banda no sonho de jogar futebol. No tempo livre, cansada da pacata vida de soccer mom, caiu na noite lisboeta ao lado dos amigos, se aprofundando numa variedade de ritmos que iam do fado ao brasileiro samba. Chegou Mirwais, colaborador de longa data. Logo depois, Mike Dean, brother de Kanye West.





Fruto de um mercado que praticamente não existe mais, aquele, por exemplo, onde os discos eram trabalhados com singles em frequências metódicas, Madonna começou a explorar o século XXI. Usou o Instagram para isso. Em teasers caprichados, começamos a descobrir os mistérios do M14. Foi aí que conhecemos a persona Madame X. Uma agente secreta. Uma prostituta. Uma santa. A consagrada dançarina Martha Graham lhe deu esse apelido, ainda na época que a jovem Ciccone de Detroit, recém-chegada a Nova York, já era figura magnética na academia dela.







Começa aí a jornada. Agora eu estou literalmente ouvindo tudo junto pela primeira vez. Medellín, em parceria com Maluma, abre os trabalhos. O clima, mais bucólico do que dançante, me ganhou aos poucos, a música cresce, elegante.







Dark ballet pega Beautiful game, apresentada no MET Gala de 2018, e lhe dá uma repaginada com voz em autotune parecendo disco quebrado (senti a mesma coisa ao ouvir I’m so stupid, do American life), genial, e de quebra ganhou um clipe mega politizado, com inspiração em Joana d’Arc, estrelado pelo multifacetado artista Mykki Blanco. “Andei por essa Terra, negro, gay e HIV positivo, mas nenhuma transgressão cometida contra mim foi mais poderosa do que a esperança que carrego“.










God control começa meio coral, fãs de Like a prayer e Nothing fails comemoram. Da calmaria, pá. Abrem a boate. Poderia ser uma música do Confessions nascida anos depois, em pleno 2019. O reggae de Unapologetic bitch, do disco anterior, ganha melhor roupagem em Future, também produção de Diplo, desta vez mais os vocais de Quavo, com quem Madonna tinha colaborado em Champagne Rose.







Batuka, grito de guerra versão boate estendida, evoca Cabo Verde com o grupo As Batucadeiras, de arrepiar, uma ousadia que deixará M.I.A. orgulhosa Killers who are partying, de letra mais politizada, tem refrão em português. Acho que só um fã de verdade saberá a emoção de ouvir Madonna cantar na língua de Camões, indo além do já clássico “E AÍ, COMO VAI, BUNDA SUJA“. Em seguida, a surpreendente Crave, com participação de Swae Lee, é o mais próximo de uma balada na jornada de Madame X.







Apesar do título paupérrimo, Crazy é ótima. Música de coração partido, voz distorcida, uma sanfoninha e, peraí, português de novo. PELO AMOR DE DEUS. É amor puro. “EUW TXI AMU“. EU TAMBÉM TE AMO, MADONNA. A ritmada Come alive me pareceu aquele remix do Jay-Z com o Panjabi MC. É ritmada, sem muitas novidades, meio pra cantar andando, fingindo que faz clipe, sabe?


Extreme occident já tinha tocado um pouquinho nos teasers, mas cara, que porrada! Me mata de me fuder, querida. Dá vontade de levar a Madame X pra um boteco tomar uns tragos e tocar viola, pode ser na Lapa, em Taguá, em Lisboa, aqui na frente da minha casa.


Quando disseram que ela regravaria Faz gostoso, corri para conhecer a original, da Blaya, e viciei. Ótima também a nova versão, com a minha, a sua, a nossa Anitta, que falem o que quiserem, merece estar ali colhendo os louros por ser uma performer incrível. Portunglish aprovado (Madonna falando “CACHAÇA”, what a concept), escola de samba idem. E tem o que, pra melhorar tudo? Aquela batida funkeira gostosa TCHU-TCHÁ-TCHU-TCHU-TCHÁ. Toca na festa, Piki, eu te imploro.


Ainda na vibe Poquito, it only takes a little bit, just poquito, vem Maluma de novo para Bitch, I’m loca, outro caso de uma música boa com título que merecia pelo menos mais um esforço. Pelo menos tá bem do jeito que nós latimos gostamos, uma cara de Shakira na pista (a colaboração dela no disco dele, Soltera, aliás, ganha o selo “não precisava, mas é legal”).


I don’t search I find tem o começo falado, meio Express yourself. E de fato, como acho que li por aí, é a filha mais nova de Deeper and deeper. Alguém tem coragem de achar isso ruim? Mistura com Rescue me e bote na turnê, madama. Looking for mercy tem as batidas características de todo o disco. Som do coral ao fundo, leve. Curioso como dá uma unidade a tudo, por mais diferente que soe. Algo do qual eu vinha sentindo falta, lembra que comentei? Conceito. Unidade. I rise, um hino para o público LGBTQIA+, a gente merece, diga lá, fecha redondinho. Ainda estou no aguardo das bônus deluxe, Funana, Back to the beat e Ciao bella.







Desbravando águas desconhecidas com um tapa-olho de pirata, no mapa da música pop Madonna sempre sabe onde está marcado o X do verdadeiro tesouro.


Agora dá licença que eu preciso ouvir tudo de novo. E TACA STREAM NESTA LENDA!









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