Drugstore – Músicas (novas) para o isolamento social



Semana passada recomendei ótimas séries para maratonar nesses dias dentro de casa. Agora é a vez de sugerir músicas novas para a playlist de vocês. Textinhos descontraídos. Clipezinhos massa. Larga de preguiça. Liga o som. Ah, sim, vou fazer o de livros também. Em breve.




Dua Lipa
Break my heart

Acompanho com curiosidade a carreira da irmã mais nova de Tiru Lipa (fanfic). À princípio achava que ela fazia um pop bem genérico e só. Aí veio New rules e eu pirei. Aliás, o mundo todo. Depois de merecido descanso, Dua Lipa voltou certeira em janeiro com Don’t stop now, para mim, até o momento, maior hit clubístico do tumultuado ano de 2020.


Minha escolhida da hora, a recém lançada Break my heart, este Another one bites the dust moderno, também é boa demais. As faixas fazem parte do álbum Future nostalgia, álbum que dizem ser filho de Confessions on a dance floor, da Madonna, com o X, da Kylie Minogue. Vou ouvir. A saber se a música pop foi, enfim, salva.







Pabllo Vittar e Thalia
Tímida

Quem me conhece sabe™ que Thalia é um dos meus amores ancestrais. Desde a primeira exibição de Maria Mercedes eu me apaixonei por ela e, posteriormente, comecei a consumir também sua carreira musical.


Eis que uma parceria uniu uma das minhas ídolas com Pabllo Vittar, orgulho do nosso país, me fazendo sentir pessoalmente realizado. Como pontuei em outra rede social, a criança viada venceu. Bom demais em tempos de panacas no poder. E a música? HINO. Claro.







The Weeknd
Blinding lights

Ainda sem saber se é um cara só ou uma banda, e com preguiça de procurar, The Weeknd honra o nome com uma bela canção para o famoso findi. O ritmo evoca os intermináveis anos 1980. Fazer o que se aquela década bota as outras para mamar (musicalmente falando, claro).


Quando Blinding lights começa a tocar, a vontade é de sair por aí que nem um maníaco pela pista de dança, vestido de collant fluorescente e faixa na cabeça ornando os mullets. Só que a gente ainda não pode, então faça isso na sala de casa até a quarentena passar. De nada.







Baco Exu do Blues
Preso em casa cheio de tesão

Me falta conhecimento para falar de Baco Exu do Blues. Cheguei a ouvir alguma coisa lá atrás e não acompanhei. Agora com certeza ele ganhou minha atenção. Gente, o cara lançou um álbum inteiro produzido durante a pandemia.


Não tem bacanal na quarentena conta com faixas do tipo Amo Cardi B e odeio Bozo e Dedo no cu e gritaria. Escolhi para nossa playlist Preso em casa cheio de tesão, uma parceria deste Kanye West brasuca com Lelle.







Letrux
Dorme com essa

Quando falei de Letrux há um tempo, recomendei aqui o álbum Em noite de climão. Letícia agora lança Aos prantos, um disco provavelmente bem emocionado. Ainda não escutei de cabo a rabo. Mesmo assim, me encantei com Dorme com essa, uma pegada bem Marina Lima, praticamente a Acontecimentos da nova geração.


A música me pegou naquele clima intimista, meio eletrônico, e eu fico por aqui, sem choro, na espera do isolamento passar para curtir todas essas músicas na boate e/ou na intimidade em boa companhia.







Crédito das imagens: G1, Entretenimento UOL, B9 e Papel Pop.

Os 10 melhores temas de 007/James Bond



Eu sei que fiz essa mesma matéria há alguns anos, mas com o lançamento do novo tema de 007, No time to die com a Billie Eilish, achei que a pauta cairia bem, desta vez, no Loz Engelis. Apresento aqui as minhas favoritas em ordem.




10. Wings – Live and let die
Com 007 viva e deixe morrer (1973)


É fato conhecido entre os que me cercam e quiçá no exterior: Beatles não é minha praia e, para mim, Paul é apenas o pai da Stella. Mas na versão Wings e com essa frenética canção para Bond, James Bond, ele entra com louvor na lista.






9. Chris Cornell – Another way to die
007 – Cassino Royale (2006)


Não existe James Bond sem a Bond Girl. Talvez seja por isso que a maioria das músicas da franquia sejam cantadas por mulheres. O saudoso Chris Cornell é um dos poucos que foge à essa regra e entrega aqui uma excelente abertura para a fase 007 estrelando Daniel Craig.






8. Carly Simon – Nobody does it better
007 – O espião que me amava (1977)


Enquanto espero ser, em um dia outonal, tal e qual Carly Simon de roupas cáqui, chiquérrima, tomando um vinho branco geladésimo, cercada de amigos artistas, cantando em Martha’s Vineyard, assim como na apresentação ao vivo de You’re so vain, me delicio ouvindo o elegantíssimo tema desta classudérrima mulher.






7. Adele – Skyfall
007 – Operação Skyfall (2012)


Embora pessoalmente não seja o maior fã do gênero sofrência ambulância das grandes divas do pop, confesso que para um bom 007 Adele e seu vozeirão sejam companhias perfeitas, assim como tramas de espionagem e maletas de metal recheadas de conteúdo misterioso.






6. Shirley Bassey – Goldfinger
007 contra Goldfinger (1964)


Se o homem do dedo de ouro soa completamente problemático e devasso, Shirley Bassey transforma a expressão em sofisticação e riqueza. São dela também outras duas músicas de Bond, Moonraker e Diamonds are forever. They won’t leave in the night, I’ve no fear that they might desert me… TAN TAN TAN TAN TAN… Shine bright like a diamond… (RIHANNA, Rock in Rio)






5. Madonna – Die another day
007 – Um novo dia para morrer (2002)


Confesso que, baseado na discografia completa de Madonna, a quem amo quase incondicionalmente, essa é uma daquelas “esconde na fanbase”. Mas se a cruzarmos com os outros temas de James Bond, certamente ela merece a ótima colocação, principalmente pelo vídeo próprio e pelas apresentações ao vivo.






4. Rita Coolidge – All time high
007 contra Octopussy (1983)


Eis uma que passava batido por mim até que, não sei como, a escutei por aí. Deve ter sido na Antena 1. Talvez na JB FM. Não importa. É daquelas pra cantar com o copo de uísque numa mão, o cigarrinho na outra. Ou quem sabe fazendo strip-tease.






3. Garbage – The world is not enough
007 – O mundo não é o bastante (1999)


Não preciso enaltecer minha amada Shirley Manson por motivos de: ela é a Shirley Manson, cacete. Então aproveito o momento para relembrar vocês deste maravilhoso tema dela + banda pontuado por um clipe ainda melhor, em que A usurpadora ganha versão escocesa em terras de Ian Fleming.






2. Sheena Easton – For your eyes only
007 – Somente para seus olhos (1981)


A ideia de “Somente para seus olhos”, a meu ver, significaria apenas uma boa leva de cartas no jogo de truco, mas com a interpretação apoteótica de Sheena Easton abandono a rodada e me posto em cima da mesa urrando a plenos pulmões e jogando para cima perigosíssimos documentos confidenciais. Essa eu assino embaixo, sem ler nada.






1. Sheryl Crow – Tomorrow never dies
007 – O amanhã nunca morre (1997)


Esse é um daqueles filmes que quem viu fez questão de esquecer. E aposto que a música também sofreu com isso. Talvez esse não seja o tema favorito de ninguém, apenas meu, mas como ignorar o drama, os diamantes, os violinos rasgando, a Sheryl Crow que eu tanto gosto, subestimada do público e da grande mídia? Se me faz feliz, não pode ser tão ruim.






Crédito das imagens: James Bond Wiki (LLD), Rick’s Cinema (CR), Amazon (NDIB e DAD), Film and TV 101 (S), Original Film Art (G), Elo7 (O), Watchrs Club (TWINE), EuroPosters (FYEO e TND).

“Björk digital” fica em cartaz até 18/8 no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo



Classificar Björk como uma artista inovadora é, no mínimo, simplista. O mundo da música é testemunha das grandes inovações trazidas por essa islandesa de 53 anos tanto em técnica (Medúlla, por exemplo, um álbum feito apenas com vozes humanas), quanto de formato. Afinal, ela transformou seus videoclipes em peças de arte. Tanto assim que agora eles são até atrações de museu. Na estrada há três anos, depois de passar por vários países, a mostra Björk digital chegou ao Brasil e fica em cartaz até 18 de agosto.


O programa evidencia as experimentações da artista com a realidade virtual. Mas não é só isso. A exposição leva os fãs e curiosos aos recantos mais íntimos dela, já que as atrações principais são os vídeos de Vulnicura, do latim “a cura das feridas”, disco que conta o fim do casamento de Björk e do artista plástico Matthew Barney: as canções abrangem o início, o meio e o fim de todo o processo deste término.


As visitas são guiadas em grupos formados por horário no Museu da Imagem e do Som em São Paulo (melhor comprar o ingresso pela internet antes). Subimos as escadas direto para a primeira sala, dedicada a Stonemilker, expressão que designa algo como “tirar leite de pedra”. É uma das canções escrita antes do divórcio, ainda em tempos de crise. Após as instruções, colocam-se os óculos de realidade virtual e os fones de ouvido. O que se abre à nossa frente impressiona. Björk cantando à sua volta, como ali ela estivesse.




Segue-se o espaço dedicado a Black lake, esta mais dramática do que a anterior, símbolo do processo de rompimento amoroso. Com o apetrecho de VR, assistimos ao vídeo por dois ângulos diferentes, imersos dentro de uma caverna feita por computador. Este mesmo clipe foi exibido em outra mostra sobre a cantora, uma retrospectiva da carreira dela no MoMa, em Nova York, em 2015, a qual eu tive o prazer de visitar. Em uma sala escura, as duas versões de Black lake eram exibidas simultaneamente em telões opostos, deixando os visitantes livres para circular e participar da experiência como lhes era conveniente.




Gravado ao vivo em show no Japão, Quicksand mostra Björk usando máscara feita em impressora 3D. Em seguida, Mouth mantra, também de Vulnicura, trata de outro assunto delicado: a cirurgia feita por ela após a descoberta de nódulo nas cordas vocais. É como entrar dentro da boca da cantora, de onde sai a voz potente e melódica que tanto encanta os fãs.







As últimas experiências são interativas e absolutamente fantásticas. Por meio de artefato que se assemelha a um joystick, costuramos linhas na tela enquanto Family é exibido em espaço separado e menor, quase individual. Por fim, em Notget, assim como na sala de Stonemilker, Björk se apresenta de pertinho, desta vez em versão high-tech, um híbrido gigante de mulher e máquina. Impressionante, só vendo.







O segundo andar reserva ainda espaço onde pode-se usar o app educativo Biophilia, baseado no disco de 2011, usado por escolas escandinavas. Completa a visita um cineminha que exibe os diversos clipes que provam: Björk é uma artista fenomenal. Em todas as dimensões.










Cinco vídeos para conhecer melhor o trabalho da cantora (e algumas historietas pessoais que provavelmente não interessam a ninguém)

Army of me
Post (1995)


Lembro da estreia dele no Vídeo show, vejam só. De cara eu já gostei do som e logo fiquei encantado com a narrativa nonsense do clipe. E também com a genética islandesa, porque lembro do Miguel Falabella contando que já tinha 30 anos apesar da cara de adolescente.






It’s oh so quiet
Post (1995)


Talvez essa seja a música mais mainstream da Björk e o vídeo não foge à regra. Bem americano, mostra a cantora em clima de musical dos anos 1950. Bom pra dar uns gritos dentro de casa (antes das 22h, por favor). Ah, é dirigido pelo Spike Jonze.






Hunter
Homogenic (1997)


Descobri essa faixa na trilha sonora de Arquivo X – O filme. Existe algo mais Björk do que isso?






Pagan poetry
Vespertine (2001)


Após uma intensa “semana do saco cheio” em 2001, voltei para casa 10h no ônibus ouvindo esse disco. O clipe ousado e poético só contribuiu para eu gostar ainda mais do tema em particular.






Declare independence
Volta (2007)


De outra fase mais pop da cantora, em que ela colaborou inclusive com Timbaland, esse tema diz muito sobre hoje, sobre tudo.







Crédito das imagens: Nick Knight e Andrew Thomas Huang.