Mostra “Irving Penn: centenário” homenageia o fotógrafo até 25 de novembro, de graça, no Instituto Moreira Salles de São Paulo



Foi uma daquelas coisas que acontecem por acaso. Andando pela Avenida Paulista, vislumbro um rosto conhecido. Audrey Hepburn. Já tinha visto aquela fotografia, com certeza. Mas não conhecia esse prédio enorme, imponente, bem pertinho da Rua da Consolação.





Descubro que é o Instituto Moreira Salles e que lá estava em cartaz uma exposição celebrando o centenário do fotógrafo Irving Penn (1917-2009), ícone desta arte. Em duas galerias, a mostra apresenta o trabalho dele em diversas fases. Grata supresa! E de graça! Quer coisa melhor? Te convido a dar uma voltinha nessa mostra imperdível em cinco momentos.





O início





Nascido em 1917, no estado de Nova Jersey, EUA, Irving Penn tornou-se assistente de Alexey Brodovitch, diretor de arte da revista Harper’s Bazaar na década de 1930. Após adquirir sua primeira máquina fotográfica em 1938, começou sua carreira de fotógrafo com imagens de letreiros e neons. Essas são as primeiras imagens em cartaz na mostra, seguidas dos trabalhos em natureza-morta, uma das paixões de Penn durante toda a vida.








Famosos





No fim da década de 1940, começou uma de suas séries mais conhecidas e influentes, clicando personalidades da época, já à serviço da Vogue, onde viria a se tornar um dos maiores colaboradores. Com estilo simples, retratava personalidades do porte do cineasta Alfred Hitchcock, do escritor Truman Capote e do artista plástico Salvador Dalí em cenário quase sempre único, uma espécie de esquina composta por duas paredes. O fotógrafo continuou registrando famosos anos depois, caso de Anaïs Nin e Gianni Versace, destas vezes experimentando outros formatos.




















Profissões





Seguindo a mesma toada das fotografias de famosos, Irving Penn clicou trabalhadores das mais diversas profissões usando um fundo básico. Cruas, as fotos são um fruto de suas épocas, mas, ainda assim, atemporais.





Moda





Foi no universo da moda que o fotógrafo talvez tenha se sagrado com o grande público. Afinal, é ele o recordista de capas da revista Vogue, bíblia do gênero, principalmente nos anos 1950. Penn também tinha ligação com o mundo fashion do ponto de vista pessoal: casou-se com a modelo Lisa Fonssagrives.











Mundo





Em espaço de destaque na mostra, a primeira viagem do fotógrafo para um editorial de moda. Foi para Cusco, no Peru, em 1948. A matéria saiu na Vogue da época e mostrava um Natal tipicamente peruano. Mais à frente na exposição, podemos ver as viagens dele pela Nova Guiné, na Oceania, o antigo reino de Daomé, na África, hoje Benim, e o Marrocos, no mesmo continente africano.





























“Irving Penn: centenário” tem o crédito do The Metropolitan Museum of Art, em Nova York, iniciativa conjunta à Fundação Irving Penn. A curadoria é de Jeff L. Rosenheim e Maria Morris Hambourg. No Instituto Moreira Salles, a coordenação fica por conta de Sergio Burgi e Mariana Newlands. A mostra vai até 25 de novembro, de graça.


E para postar aquela foto no Instagram, é possível ser clicado em frente ao backdrop original usado por Penn, bem como na reprodução de sua famosa parede dobrada. Eu fiz as minhas fotos, não sou bobo, nem nada.







“Para mim, pessoalmente, a fotografia é uma maneira de superar a mortalidade”, Irving Penn.




Créditos das imagens: Arthur H. Herdy e Bruno Jaques.

Belle de jour



Não se fala em outra coisa no mundo do entretenimento. A grande atriz franco-americana Margaux decidiu abandonar sua carreira de sucesso. A musa protagonizou uma cena daquelas em um ensaio fotográfico. Revoltada, jogou tudo para o alto, literalmente, durante a sessão. Se você não ligou o nome à pessoa, não se preocupe. É tudo ficção. A grande diva Margaux na verdade é Marion Cotillard na mais nova campanha da Dior. Dirigido por John Cameron Mitchell (Hedwig – Rock, amor e traição, Shortbus e Reencontrando a felicidade), o curta L.A. by Dior é o quarto estrelado por Marion para a marca – a atriz também foi o rosto de outros trabalhos, incluindo os da bolsa Lady Dior, que representou capitais como Nova York, Paris, Londres e Xangai, e outras duas peças fotográficas.





Neste primeiro vídeo cômico da série, a inspiração é o comercial da japonesa Jun Ropé, de 1973, idealizado pelo lendário Richard Avedon e personificado pela modelo e atriz Lauren Hutton. Uma superstar, paparicada por Deus e todo mundo, não aguenta a pressão de um photo shoot e enlouquece dando à campanha, em meio ao furdunço, um sopro de criatividade.





O Loz Engelis, que de bobo não tem nada, há tempos tem mademoiselle Cotillard como uma de suas musas honorárias e recapitula agora as incursões da bela nas campanhas da maison francesa. Confira o curta, o teaser, o making of e o comercial setentista que serviu de base para o filmete atual.


L.A. by Dior



Vídeo oficial



Teaser



A campanha da Jun Ropé de 1973




The Lady Noire affair – Paris – Primavera/Verão 2009




















A cidade luz é o cenário da primeira saga de Marion representando Lady Dior pela grife. O clima de film noir, escola cinematográfica da década de 1940 que consiste em produções detetivescas com roteiro intrincado e misterioso, predomina. Escrito e dirigido por Olivier Dahan, o mesmo de Piaf – Um hino ao amor, pelo qual Marion ganhou o Oscar de melhor atriz em 2008, o filme mostra Lady Noire presa em meio a um enigma. Correndo por Paris com um look sombrio e elegante, Cotillard termina a narrativa em caçada icônica na Torre Eiffel.








Making of




Lady Rouge – Nova York – Outono/Inverno 2009-2010




















Com viés contemporâneo, Lady Rouge apresenta Marion em uma Nova York com ares decadentes. A bombshell, ultra feminina, se transforma em tomboy ao encontrar os rapazes da banda Franz Ferdinand. O sueco Jonas Åkerlund usa toda sua experiência no mundo do videoclipe para realizar a empreitada, que tem como trilha a faixa Eyes of Mars com Marion nos vocais, Kapranos e companhia.








Making of




Lady Blue Shanghai – Primavera/Verão 2010




















A high tech Xangai sedia o curta mais ousado da série. Também pudera. Com David Lynch por trás das câmeras o resultado não poderia ser diferentes. Lady Blue Shanghai evoca a estranheza do cineasta e torna impossível não lembrar filmes como Veludo azul (1986) e Cidade dos sonhos (2001). Os movimentos amadorísticos da câmera aliados a pitadas de suspense bizarro contam uma inusitada história de amor.








Making of




Lady Grey London – Primavera/Verão 2010-2011

















Da cinzenta capital da Inglaterra chega a história com mais tons coloridos e vibrantes da série. A coquete Marion Cotillard se encontra dividida entre dois amores. O primeiro é um desenhista sem futuro (Russell Tovey) enquanto o outro, um senhor, é vivido por Ian McKellen. John Cameron Mitchell, o mesmo que posteriormente dirigiu L.A. by Dior, comanda o melancólico vídeo.






Making of




Crédito das imagens: Marion Cottilard.org, Google Imagens e reproduções do YouTube.

Os homens preferem as loiras



Em meados da década de 1950, Grace Kelly, no auge de sua carreira cinematográfica, foi a Mônaco filmar Ladrão de casaca, de Alfred Hitchcock. Ninguém imaginava que aquele seria um de seus últimos filmes. Naquele principado distante, ela seria a protagonista de um conto de fadas pós moderno até sua morte, em 1982, em um trágico acidente de automóvel.





Grace Patricia Kelly marcou história no cinema, mas virou eterna por ter se tornado a Princesa Grace de Mônaco, após casar-se com o Princípe Rainier III. Essa trajetória fascinante é contada com riqueza de detalhes e reconstituição brilhante em Os anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco exposição que tive o prazer de visitar neste último fim de semana, em São Paulo. A mostra, em cartaz no no Museu de Arte Brasileira da Faap, foi trazida ao Brasil pelo Grimaldi Forum e possui curadoria de Frédéric Mitterand.





São 12 salas divididas cronologicamente. O primeiro ambiente conta a infância de Grace, nascida Grace Patricia Kelly, na Filadélfia. A carreira como atriz começou depois que ela foi para Nova York, virou modelo e começou a atuar em especiais de TV e também na Broadway.





Não demorou para que ela adentrasse o mundo do cinema – é a parte Hollywood da exposição. Uma grande porta com o letreiro imortal e cortinas vermelhas abre essa nova etapa. Os visitantes podem conferir réplicas de figurinos, roteiros originais e o Oscar que Grace ganhou em 1953 por Amar é sofrer.



A sala Hollywood enumera os sucessos de Grace Kelly no cinema



Matar ou morrer (High noon, 1952), dirigido por Fred Zinnemann



Mogambo (1953), dirigido por John Ford



Amar é sofrer (The country girl, 1954), dirigido por George Seaton



Oscar por Amar é sofrer



Tentação verde (Green fire, 1954), dirigido por Andrew Marton



As pontes de Toko-Ri (The bridges of Toko-Ri, 1954), dirigido por Mark Robson



O cisne (The swan, 1956), dirigido por Charles Vidor


A beleza clássica e gélida da loura, aliada a uma sensualiadade velada e explosiva, chamou atenção de Alfred Hitchcock, o grande mestre do suspense. A relação entre a musa e o diretor ocupa um espaço de destaque na mostra. Uma reprodução do prédio em que James Stewart bisbilhota os vizinhos em Janela indiscreta (1954), uma das três colaborações de Grace com Hitch, é o cenário para o especial Hitchcock. Ela ainda atuou em outros dois filmes dele, Disque M para matar (1954) e Ladrão de casaca (1955).



Grace e Hitchcock nos bastidores



Réplica do cenário de Janela indiscreta na exposição






Disque M para matar





Janela indiscreta






Ladrão de casaca


No Festival de Cannes de 1955, Grace conheceu o Principe Rainier de Mônaco. Ele não se importou com as especulações de inúmeros casos que ela teria tido com outros atores (Clark Gable, que trabalhou com ela em Mogambo, teria sido um deles). Eles se apaixonaram em tempo recorde, noivaram e causaram frenesi na imprensa.





Logo depois, Grace estrelou aquele que seria seu último filme, Alta sociedade, com Frank Sinatra e Bing Crosby, e partiu para Mônaco de navio.






Frank Sinatra canta You’re sensational para Grace Kelly



Bing Crosby e Grace no dueto True love


A história de amor entre Grace e Rainier é mostrada nas salas Encontro e Casamento. Tinha início a era Grace Kelly Grimaldi. A boda foi televisionada mundialmente, parte de um acordo entre a futura princesa com a MGM – a estilista Helen Rose desenharia o vestido e o estúdio arcaria com os custos, desde que tivesse os direitos da transmissão. A peça icônica, que inspirou tantas apaixonadas em mais de meio século de história, também está lá (com o perdão da ousadia, comparar o vestido de Grace com o da princesa Catherine Middleton é a mesma coisa de comparar Coca-Cola com Guaraná Dolly).














Matéria da ABC sobre os 50 anos de casamento de Grace e Rainier, exibida em 2006



O vestido de casamento


O sapato da princesa


Vieram, então, os herdeiros de Mônaco – os príncipes Albert, que esteve presente na abertura da mostra, e as princesas Caroline e Stéphanie (Não sei se é caça ou caçadora, se é Diana ou Afrodite ou se é Brigite, Stephanie de Mônaco, aqui estou inteiro ao seu dispor).





O espaço Maternidade e família mostra os vídeos caseiros do clã Grimaldi em projeções nas paredes: Caroline e Albert pequerruchos brincando com mangueiras, mamãe Grace esquiando nos alpes e toda a família reunida em alegres períodos de veraneio. As roupinhas das crianças estão expostas, bem como bilhetinhos da criançada para Grace e até mesmo os menus que as babás tomavam de base para a alimentação da realeza mirím.





A sala Amigos exibe um vídeo de visitas ilustres ao palácio como a de Alfred Hitchcock e Bing Crosby. Também podem ser vistas (e lidas) cartas de Frank Sinatra, Greta Garbo, Richard Burton e outros, destinadas à princesa Grace de Mônaco. Trabalhos comunitários e a paixão de Kelly pela jardinagem estão logo ao lado nas salas Jardim Particular e Mulher Secreta.








Como não poderia deixar de ser, a moda construiu um importante legado da trajetória de Grace Kelly. A sala Bailes mostra vestidos da princesa usados em diversas ocasiões especiais.





A Sala Real mostra aspectos da realeza de Mônaco, incluindo a reprodução de uma mesa de banquete, as joias da coroa e uma belíssima parede com reproduções de capas de revistas estrelando Grace Kelly.











Em Glamour e Princesa, outros modelos de vestidos e indumentárias. Há croquis de Yves Saint Laurent, óculos vintage e as toucas, muito populares na década de 1960.






YSL legítimo inspirado em obras do modernista Mondrian



Grace, ao lado do presidente norte-americano John Kennedy, com uma de suas famosas toucas


A Kelly Bag, da Hermés, diretamente associada a Grace, ganhou réplica gigante rodeada de por outras reproduções da mesma bolsa em outras roupagens. Em tempo: criada em 1935, a bolsa Sac à dépêches ganhou o apelido de Kelly Bag após ser vista no colo da princesa em foto de 1956 publicada na Life.



Kelly Bag: it-bolsa histórica





Mais do que uma exposição de arte, Os anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco é uma aula de história, contada por meio de documentos, cartas, joias, vestidos e peças únicas. Símbolo de elegância e talento, Grace Kelly vive.





OS ANOS GRACE KELLY, PRINCESA DE MÔNACO
Museu de Arte Brasileira da FAAP. Rua Alagoas, 903, Higienópolis. São Paulo – SP. Até 10 de julho. De terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. Entrada franca.
http://www.faap.br/museu