Filmes dos anos 90 na Netflix



Nunca neguei que sou saudosista. E digo mais: adoro um bom filme repetido. Por causa disso obviamente os anos 1990 têm lugar especial na minha memória afetiva. Afinal, foi naquela década, hoje quase balzaquiana, que descobri a magia do cinema gastando a mesada nas salas Severiano Ribeiro e transformando a videolocadora do bairro quase em minha segunda casa.


Agora, em pleno século XXI, quando dá vontade de rever alguma coisa daquela época, ao invés das fitas VHS me sobrou o streaming. Segue aqui uma listinha camarada em que enumero ótimas escolhas na Netflix para os nostálgicos como eu.




Ghost: Do outro lado da vida (1990)





A pessoa que acabava a lição de casa, abria aquele saco de Cheetos bola e tinha um filme desses na Sessão da tarde certamente não queria guerra com ninguém.


Ghost virou megasucesso por vários fatores: trama emocionante (moço de Dirty Dancing morre mas não desencarna), música da argila (Oooh my-yyyyyy loove), Whoopi Goldberg de médium picareta (“Molly, você está em perigo, garota“) e, aqui no Brasil, graças às infindáveis reprises (de tanto que passou virou até piada, “Inédito… nessa semana”). Ah, sim, a melhor maneira de assistir é, claro, na versão dublada.






Mulher solteira procura (1992)





Nos muito grunges anos 90, Bridget Fonda e Jennifer Jason Leigh eram habituês de qualquer revista SET – a primeira quase sempre no papel de mocinhas espertas, a outra certamente interpretando alguma doida de jogar pedra. Nesse filme também vale essa regra.


A super legal Allison precisa de uma colega de quarto. Daí conhece Hedra. Elas viram grandes companheiras até que o quê? Até que a nova amiga se revela uma pirada de marca maior. Obsessão, cabelo de cuia em dose dupla e a clássica cena do sapato de salto transformado em arma mortal completam esse subestimado suspense.






Entrevista com o vampiro (1994)





Juntar Tom Cruise e Brad Pitt, dois grandes gatinhos de toda uma geração, era o sonho de qualquer garota, ou primo gay, que lia a Capricho. Essa fita, baseada no livro de Anne Rice, que ainda assina o roteiro, realizou a proeza e ainda apresentou ao público Kirsten Dunst em versão vampirinha Natasha Lyonne.


Como mote, acompanhamos Lestat e Louis, dentuços amigos e rivais por entre os séculos. Christian Slater fica com o papel do jornalista que arranca confissões de um dos imortais: “No Brasil não há homem para mim”.






Pulp Fiction: Tempo de violência (1994)





Assisti à essa obra-prima ainda na mais tenra infância e até hoje não me esqueço da trilha sonora, que comprei numa unidade da Discoteca 2001, do picumã de Uma Thurman à la Maria de Fátima ou daquela famosa passagem de dança twist. Claro que esse novo clássico oferece muito mais do que isso, mas eu realmente só o entendi depois.


Fato é que Pulp Fiction consta como um dos melhores filmes da década, quiçá da História, dando a todos nós, jovens esquisitos ratos de locadora, a esperança de sermos, um dia, geniais que nem o Tarantino.






As patricinhas de Beverly Hills (1995)





A trama da jovem rica e esperta que acaba se apaixonando pelo meio-irmão. Podia ser uma tragédia grega, podia ser Jane Austen, mas ficou para a posteridade como cult do gênero “filme de adolescente”.


Esta produção, lançada em 1995, faz parte da época em que Alicia Silverstone era a grande promessa de Hollywood, quando ainda tínhamos nesse plano a saudosa Brittany Murphy, e ainda dos tempos em que Paul Rudd tinha a mesma cara que tem hoje, que Renew é esse?






Seven: Os sete crimes capitais (1995)





Quando quase tomei bomba em algumas matérias da escola, fui tomar reforço, e escapar das chineladas, com uma professora particular aqui da vizinhança. Para minha sorte, além de tutora ela também era cinéfila. Foi daquele vasto acervo que peguei emprestado a fita de Seven, imaginando ser um thriller como outros daqueles descartáveis. Bem… Não era.


A trama dos dois detetives que perseguem um assassino movido pelos sete pecados capitais nunca mais saiu da minha cabeça. O motivo? Digamos que nos anos 90 o conceito de unboxing era algo bem diferente.






Missão impossível (1996)





“Não é porque estou em isolamento que não valorizo meu tempo” pode ser considerado meu novo bordão. Então poupe-se da série completa com 80 continuações, veja só esse, o primeiro, e vida que segue. Na aventura de estreia do espião Ethan Hunt na telona, ele deve tentar resolver o mistério que matou sua equipe, salvando assim a própria pele.


Dirigido por Brian De Palma, um favorito da minha videoteca, o Missão impossível número 1 vale nem que seja para aquela sequência do Tom Cruise flutuando no cofre e tan, tan, tan, taran, taran, tan, tan, tchuruuuuuuuu, tchururuuuuuuu, tcharam.






Jovens bruxas (1996)





Que atire o primeiro pentagrama qual jovem dos anos 90 não desejou ter poderes ocultos. A razão, além de Elvira, Convenção das bruxas e Abracadabra, é provavelmente este filme, em especial a cena onde descobrimos que, com mágica, dá para ficar loiro de repente. E sem amônia.


Vamos ao enredo: quatro adolescentes não-tão-bem-quistas mexem com o oculto enquanto enfrentam a chatice do Ensino Médio. Quanto a mim, meus grandes feitos como Fairuza Balk do Cerrado resumiram-se a beber ponche de vinho Periquita embaixo do bloco ouvindo o tema de Charmed. Sorry, Manon.






Matilda (1996)





O filme mais exibido da TV a cabo aos domingos conta uma historinha muito da simpática. Menina prodígio, incompreendida pelos pais bobalhões, enfrenta as dificuldades da vida de quem sabe mais do que a média com a ajuda dos livros e da professora que parece, mas não é a Sarah Paulson.


Uma dica: não assista devorando um bolo de chocolate (entenda o motivo assistindo).






A múmia (1999)





Sendo um grande fã do episódio do Chapolin passado no Egito eu adorei esse filme, que de profundo não tem nada. Na terra dos faraós, aventureiro encontra egiptóloga e parte, junto de uma turma em busca das maiores confusões, para resolver um mistério milenar.


Vi no cinema, talvez back to back com Armadilha, aproveitando depois para comprar um CD do Garbage e/ou das Destiny’s Child. De qualquer forma, um dia feliz/que tempo bom.






Crédito das imagens: New On Netflix: NEWS, Mercado Livre e Pinterest.

Drugstore – “O júri” (livro + filme)



Existem dois ótimos argumentos para se ler um livro depois de assistir ao filme no qual ele é baseado. O primeiro é que você já sabe o assunto, facilita horrores. Ajuda até mesmo a imaginação, com os atores escalados a gente já pensa neles e pronto. O outro: se você gostou muito da película, a obra escrita age como uma versão estendida da narrativa, quase como se a tivessem transformado numa série. Faço isso sempre, só aqui no blog temos vários exemplos, Reparação, Maria Antonieta


Desta vez, repeti a fórmula com um exemplar de tribunal. E quem melhor para escolher do que John Grisham? O júri é mais um dos filmes que adoro. Por isso foi meu livro escolhido do autor, que também assina outros grandes exemplos da dobradinha literatura/cinema com A firma, O dossiê pelicano, Tempo de matar, e mais. O resultando não me surpreendeu. Praticamente devorei as páginas e passei madrugadas vidrado, sem conseguir parar de ler. A publicação aqui no Brasil é da Rocco.





A história começa a seleção das pessoas que serão responsáveis pelo veredito de um caso muito importante. Jacob Wood, fumante, morre por causa de um câncer de pulmão. A viúva dele, Celeste, processa a fabricante de tabaco. O caso pode atingir outros empresários do ramo, abrindo precedentes para outras ações e a responsabilização maior daquela indústria. Do lado da acusação está Wendall Rohr, um brilhante advogado. Do lado de lá do tabuleiro o inescrupuloso Rankin Fitch, que age nas sombras, longe do tribunal, para dar o resultado previsto aos patrões endinheirados.


No meio disso tudo, Nicholas Easter, jovem funcionário de uma loja de computadores do Mississippi, é um dos candidatos a jurado do julgamento. A entrada dele e da misteriosa Marlee nesse jogo de influências mudará tudo. Mas para qual lado?


Ficou bom esse resumo, né? Parece orelha do livro. O resto é spoiler, então paro por aqui. Depois, veja o filme no Amazon Prime Video, estrelado por Gene Hackman, Dustin Hoffman, John Cusack e Rachel Weisz. O roteiro modifica apenas um detalhe: ao invés dos cigarros, a adaptação mira a indústria das armas.







Ao encerrar a leitura de O júri, penso que John Grisham, este ótimo contador de histórias, entrará na minha lista preferencial de autores. A gente precisa de um bom best-seller de vez em quando, não precisa?




Crédito das imagens: Acervo pessoal, De Spanningsblog e Film.ru.

Os 10 melhores temas de 007/James Bond



Eu sei que fiz essa mesma matéria há alguns anos, mas com o lançamento do novo tema de 007, No time to die com a Billie Eilish, achei que a pauta cairia bem, desta vez, no Loz Engelis. Apresento aqui as minhas favoritas em ordem.




10. Wings – Live and let die
Com 007 viva e deixe morrer (1973)


É fato conhecido entre os que me cercam e quiçá no exterior: Beatles não é minha praia e, para mim, Paul é apenas o pai da Stella. Mas na versão Wings e com essa frenética canção para Bond, James Bond, ele entra com louvor na lista.






9. Chris Cornell – Another way to die
007 – Cassino Royale (2006)


Não existe James Bond sem a Bond Girl. Talvez seja por isso que a maioria das músicas da franquia sejam cantadas por mulheres. O saudoso Chris Cornell é um dos poucos que foge à essa regra e entrega aqui uma excelente abertura para a fase 007 estrelando Daniel Craig.






8. Carly Simon – Nobody does it better
007 – O espião que me amava (1977)


Enquanto espero ser, em um dia outonal, tal e qual Carly Simon de roupas cáqui, chiquérrima, tomando um vinho branco geladésimo, cercada de amigos artistas, cantando em Martha’s Vineyard, assim como na apresentação ao vivo de You’re so vain, me delicio ouvindo o elegantíssimo tema desta classudérrima mulher.






7. Adele – Skyfall
007 – Operação Skyfall (2012)


Embora pessoalmente não seja o maior fã do gênero sofrência ambulância das grandes divas do pop, confesso que para um bom 007 Adele e seu vozeirão sejam companhias perfeitas, assim como tramas de espionagem e maletas de metal recheadas de conteúdo misterioso.






6. Shirley Bassey – Goldfinger
007 contra Goldfinger (1964)


Se o homem do dedo de ouro soa completamente problemático e devasso, Shirley Bassey transforma a expressão em sofisticação e riqueza. São dela também outras duas músicas de Bond, Moonraker e Diamonds are forever. They won’t leave in the night, I’ve no fear that they might desert me… TAN TAN TAN TAN TAN… Shine bright like a diamond… (RIHANNA, Rock in Rio)






5. Madonna – Die another day
007 – Um novo dia para morrer (2002)


Confesso que, baseado na discografia completa de Madonna, a quem amo quase incondicionalmente, essa é uma daquelas “esconde na fanbase”. Mas se a cruzarmos com os outros temas de James Bond, certamente ela merece a ótima colocação, principalmente pelo vídeo próprio e pelas apresentações ao vivo.






4. Rita Coolidge – All time high
007 contra Octopussy (1983)


Eis uma que passava batido por mim até que, não sei como, a escutei por aí. Deve ter sido na Antena 1. Talvez na JB FM. Não importa. É daquelas pra cantar com o copo de uísque numa mão, o cigarrinho na outra. Ou quem sabe fazendo strip-tease.






3. Garbage – The world is not enough
007 – O mundo não é o bastante (1999)


Não preciso enaltecer minha amada Shirley Manson por motivos de: ela é a Shirley Manson, cacete. Então aproveito o momento para relembrar vocês deste maravilhoso tema dela + banda pontuado por um clipe ainda melhor, em que A usurpadora ganha versão escocesa em terras de Ian Fleming.






2. Sheena Easton – For your eyes only
007 – Somente para seus olhos (1981)


A ideia de “Somente para seus olhos”, a meu ver, significaria apenas uma boa leva de cartas no jogo de truco, mas com a interpretação apoteótica de Sheena Easton abandono a rodada e me posto em cima da mesa urrando a plenos pulmões e jogando para cima perigosíssimos documentos confidenciais. Essa eu assino embaixo, sem ler nada.






1. Sheryl Crow – Tomorrow never dies
007 – O amanhã nunca morre (1997)


Esse é um daqueles filmes que quem viu fez questão de esquecer. E aposto que a música também sofreu com isso. Talvez esse não seja o tema favorito de ninguém, apenas meu, mas como ignorar o drama, os diamantes, os violinos rasgando, a Sheryl Crow que eu tanto gosto, subestimada do público e da grande mídia? Se me faz feliz, não pode ser tão ruim.






Crédito das imagens: James Bond Wiki (LLD), Rick’s Cinema (CR), Amazon (NDIB e DAD), Film and TV 101 (S), Original Film Art (G), Elo7 (O), Watchrs Club (TWINE), EuroPosters (FYEO e TND).