Eternamente jovens



Tô cheio de amigos em crise com o calendário. Vai dizer que você não achou que envelhecer seria bem mais fácil? Os “20 poucos anos”, que na adolescência pareciam a solução de qualquer problema (vou ser rico, famoso e fazer tudo o que eu quiser), não são tão maravilhosos quanto a gente pensava. No meio do caminho o dilema: e quando eu fizer 30? Ai, Jesus. Cadê meu Chronos?


A Box 1824, especializada em pesquisas de comportamento e consumo, produziu um vídeo, We all want to be young (Dica do Rafael Campos), falando dessa geração citada acima, a minha e talvez a de alguns leitores desse blog. Somos Millennials. Temos ansiedade crônica, mas, para balancear, somos multitarefas. Entendemos o outro melhor do que nossos antepassados recentes. Temos o mundo em nossas mãos e sabemos bem qual o nosso lugar nele. Tá bom pra você?


Deixe o filtro solar de lado, assista e perceba, por mais clichê que possa soar, que ser jovem é realmente um estado de espírito. Eu chorei. Hunf.


Mad Madonna



Todo mundo sabe que Madonna, mesmo chegada numa verdinha, é extremamente criteriosa quando se trata de expor sua figura na Medina aliada a qualquer produto comercial. Mesmo assim, raramente ela dá as caras em peças publicitárias para marcas famosas e conceituadas, desde aparelhos japoneses de televisão a grandes nomes do mundo da moda.


O Loz Engelis revisita essa história e mostra a relação de um dos maiores ícones do século 20 e sua imagem no mercado da propaganda.





Recentemente a rainha do pop foi o rosto da Dolce & Gabanna. Madonna encarnou uma desperate housewife tipicamente italiana, mezzo matrona, mezzo sensual, evocando as raízes napolitanas de seu sobrenome Ciccone.


A grife liberou um vídeo dos bastidores. Nele, a diva aparece em situações nada comuns, do tipo pegando em galinhas, brindando cá-família e até limpando o chão. Dá pra acreditar? Madonna, quem diria, acabou no Irajá.




























Vamos voltar no tempo. Madonna à la True blue, 1985/1986, sua fase fifties, cuja paixão fulminante pelo bad boy Sean Penn dava o tom. Nessa época ela transformou radicalmente sua imagem, investindo na combinação loirice platinada, sobrancelha preta e jeito de mocinha. Auxiliada pelo sucesso do disco em questão e do álbum de remixes You can dance, a Mitsubishi aproveitou sua imagem para vender videocassetes.




Também no Japão, país que tem Madonna como rainha suprema, ela estrelou outras duas campanhas: uma de gosto bem duvidoso para Takara (1995) e outra para o condomínio Brillia Mare Ariake (2007), esta última dirigida por Steven Klein, colaborador constante da diva.










Em 1989, Madonna estava prestes a lançar o clipe Like a prayer, faixa título do álbum homônimo, quando a Pepsi a convidou para uma peça milionária com cachê de U$$ 5 milhões. Um dia depois do comercial ser veiculado na TV, o vídeo da música fez seu début nas telinhas da MTV, com as polêmicas imagens de cruzes em chamas e do relacionamento entre Madonna e um Jesus Cristo negro.


O resto já dá pra imaginar. A Igreja Católica arrumou encrenca e forçou a companhia a retirar a peça do ar. O quiprocó aumentou o buzz em torno do disco e ajudou Madonna a catapultar as vendagens daquele álbum que os fãs consideram sua obra-prima. “Go ahead. Make a wish“.




O ano de 1995 marcou a primeira colaboração da musa pop com a marca Versace, na época dirigida por seu amigo íntimo Gianne (assassinado tempos depois). O ensaio, clicado por Mario Testino e Steven Meisel, ficou tão lindo que virou o material de promoção do disco Something to remember, compilação de baladas românticas lançada no mesmo ano.













Ela revisitou a marca em 2002, já com Donatella no comando, e encarnou uma executiva sexy com cara de Miami-Periguete-Maneater-Samantha-Jones-é-o-caralho.







Um retoque no visual com maquiagem Max Factor em 1999.










Ano de 2001. No curta Star, dirigido por Guy Ritchie, marido dela na época, Madonna brincou com a imagem de estrela para vender uma BMW. No volante da limousine da rainha, um ainda desconhecido Clive Owen.




2003. A arte imita a arte: o comercial da fragrância Beyond paradise, da Estée Lauder, inspirou Madonna para seu vídeo de Love profusion, música tema do reclame.







Ainda no mesmo ano, a rainha do pop promoveu jeans exclusivo para a GAP. Junto de Missy “Misdemeanor” Elliott, Madonna reinventou o hit Into the groove adicionando partes da música Hollywood e pegadas de rap. A faixa entrou no EP Remixed and revisited.
















Daí pra frente, Madge caiu com tudo no mundo da propaganda. Na sequência, seus mais recentes trabalhos: a coleção desenhada para a H&M, as fotos para Louis Vuitton (em clima de cabaré francês e de coelhinha estilizada) e os óculos MDG, mais uma parceria com a Dolce & Gabanna.









































CA-CHING!

Brasil, mostra a tua cara!



Nasci nos anos 1980, antes do boom dos Nintendos e similares e quando a internet em si ainda era coisa de ficção científica. A criançada, quando não se sujava brincando embaixo do bloco, tinha a televisão como babá eletrônica. Eu era um desses. Brincava com a Xuxa, ria d’Os Trapalhões e trocava ajudar nas tarefas domésticas só pra poder assistir às mulheres-moranguinho do Coquetel (Alguém mais lembra desse clássico do pornô softcore lúdico?).


Novela pra mim era tudo. Comprava até a Contigo! toda semana pra ler resumo. Assisti de camarote a momentos antológicos da TV, antes do início do império do politicamente correto. Mas, até hoje, uma das minhas maiores frustrações foi ter perdido a exibição de Vale tudo, quase O poderoso chefão das soap operas nacionais, em 1988. Mais de 20 anos depois, minha preces foram atendidas pelo canal Viva, que começou a repetir a novela de segunda a sexta desde o último dia 4. Como nada na vida é do jeito que a gente gosta, os espertalhões exibem Vale tudo no infame horário de 0h45, com reprise ao 12h. Acho que vou começar a estocar café.





Começou assim: Raquel Acioli, interpretada por Regina Duarte, sai de São Paulo rumo a Foz do Iguaçu com a filha. Lá, vive tranquila até a menina completar 21 anos. A garota, mequetrefe e alpinista social da pior espécie, após a morte do avô, vende a casa que está em seu nome e se manda pro Heow de Xhanheyro (leia-se Rio de Janeiro) para tentar ganhar a vida numa boa, numa nice. A cã atende pelo nome de MARIA-DE-FUCKIN’-FÁTIMA e é vivida por Glória Pires.


Numa jogada que ainda não assisti, o destino dessas personagens vai se cruzar com a família Roitman, cuja matriarca, Odete (Beatriz Segall), controla uma grande multinacional. A velha também é o diabo em forma de gente, borrifado com colônia francesa e cheio de laquê na cabeleira. Preconceituosa e esnobe, Odete Roitman não poupa esforços para manter sua posição social.








Tô viciado, repito, VICIADO na novela. E estamos indo rumo ao terceiro capítulo apenas. A questão é que Vale tudo constava nas listas de melhores novelas da história, nos tops momentos marcantes e sempre atraiu minha curiosidade. Mesmo sem ter assistido, sabia de cor e salteado quem matou Odete Roitman, referência em vilania e mau caratismo folhetinesco.


É uma delícia assistir a uma novela produzida no fim dos anos 1980 e perceber como algumas coisas mudaram em termos de teledramaturgia (para melhor e para pior). E o figurino? Gente, o povo de Vale tudo podia sair direto da novela e ir pra Play! A galera PESANDO A MÃO nas ombreiras tipo futebol americano, shorts jeans, Ray Bans de onça e POCHETES, CARALHA. Tudo tirado tim-tim por tim-tim das páginas da revista Tomorrow. Tá boa, Solange Duprat?



Mas a gente ainda vai se encontrar muito em breve. Porque eu quero te ver atrás das grades. É na cadeia que eu vou te ver, entendeu, sua infeliz? NA CADEIA! NA CADEEEEEEEEEIA! NA CADEEEEEIA!


Vale tudo também foi pioneiro e ousou ao retratar um casal homossexual, Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheizelin), coisa raríssima na época (ao contrário de hoje que, pra parecerem moderninhas, as emissoras socam as bees nas novelas tipo cota de vestibular). Outro aspecto importante foi tratar o alcoolismo como um assunto sério, por meio da musa, the one and only, Heleninha Roitman (Renata Sorrah). Com o advento do YouTube, todo mundo pôde conhecer a bonita em suas noitadas de mambos calientes e amnésias (Eu quero saber aonde está o seu marido!).








Em um Brasil pós ditadura militar e assolado pela inflação e violência urbana, Vale tudo, por meio do texto de Gilberto Braga, Leonor Bassères e Aguinaldo Silva, jogou a merda toda no ventilador. Em perspectiva de novela, apresentou personagens dúbios, nem tão bons, nem tão ruins: valia de tudo mesmo para subir na vida (mesmo que fosse usando o pescoço dos outros como escada).


Em suma, a obra abordou o jeitinho brasileiro, a falta de perspectiva e aspectos diversos que povoam nossa existência no maior país da América do Sul. Por melhor que seja no segmento das novelas, Vale tudo dá uma pontinha de tristeza no coração – infelizmente, mais de 20 anos depois de sua exibição, ainda é bastante atual.





Crédito da imagem: YouTube.