Katy Perry não precisa salvar o pop



Não sou Katy Perry, mas, fazendo um trocadilho com o novo álbum dela, Witness, já testemunhei muitas mudanças no mercado fonográfivo norte-americano. E nesse tribunal de críticas musicais, que a considera culpada por causa desse mesmo disco, vou fazer o papel de advogado de defesa.


O que andam dizendo por aí é que a esperadíssima SALVAÇÃO DA MÚSICA POP não veio. Mas peraí. Quem disse que o pop precisa ser salvo?














“A GENTE ESPERAVA MAIS DELA! A KATY PERRY JÁ LANÇOU UM CD QUE TEVE CINCO SINGLES NÚMERO 1!!!!!”


Que ótimo. Mas o tempo passou e agora ela decidiu seguir por outro caminho. Não é isso que acontece quando a gente amadurece?





Katy faz parte de uma nova leva de divas. Ela já “nasceu” para a indústria em um mundo em transformação. As redes sociais eram uma realidade e deixaram de engatinhar para correr em pouco tempo. O mundo foi atrás. A música também.


Depois de longo inverno para o pop nas paradas de sucesso, ritmo que foi substituído pelo rap e hip-hop em meados da década de 2000, uma turma composta por cantoras pop estreantes estava pronta para dominar a Billboard.


Relembrando e vivendo. Naquele tempo, Katy veio com One of the boys, dominando. Rihanna transformou-se em um programa de gravação de CDs tipo Nero, lançando todo ano um novo álbum cheio de hits. Beyoncé deu adeus para as amigas e resolveu assumir a carreira solo. E, claro, não podemos deixar de citar o fenômeno Lady Gaga. Uma boa fase para a música chiclete. Além do inegável talento, elas, e muitas outras, também brilharam pois supriam a necessidade desse mercado que, como todos os outros mercados, é cíclico.














Vamos recapitular mais um pouco até o início do pop como conhecemos hoje. Estou falando da geração MTV.


Os anos 1980 tiveram Michael Jackson, Madonna, Cyndi Lauper… Mas logo depois o rock voltou às paradas. E também chegaram as boy bands… E logo… O dance, meio eletrônico. A década de 1990 começou… E dá-lhe hip-hop, rap, R&B… Aí chegou a Alanis, meio pop, meio rock… Depois Britney, Christina, outras boy e girls bands quando encostamos no século XXI… E assim foi… Por mais saudosista que eu seja no que diz respeito á indústria cultural, tudo muda e nada muda ao mesmo tempo. Podem reparar.






































Agora, querer que uma cantora faça o mesmo tipo de música ou de sucesso depois de 10 anos é algo irreal. E os maiores prejudicados por isso provavelmente somos nós mesmo, consumidores do pop.


Ora bolas. As pessoas mudam. Evoluem. Experimentam. Se uma cantora fica no mesmo arroz com feijão por muito tempo, é acusada de não inovar. Se muda de estilo, de sonoridade, “poxa, cadê aquela música que eu tanto esperei para dançar na boate”?


Katy Perry está seguindo os passos da indústria à sua maneira (PERDEEEEENDO MEU TEEEEEMPO, A NOITE INTEEEEEIRAAAAA). Rihanna não botou nenhuma farofa no Anti, álbum que tem até um COVER DE TAME IMPALA. Queen Bee chegou rasgando seu disco-manifesto Lemonade. E Gaga deixou de lado os globos de espelho e vestidos de carne para entregar um trabalho mais pessoal e intimista em Joanne.











Enquanto isso, Ed Sheeran, The Weeknd, Justin Bieber, e outros músicos estão no topo das paradas, fazendo sucesso, fazendo as pessoas dançarem…


Quem sabe daqui a um ano, alguma das cantoras lance um grande hit, daqueles que não saem do #1 por semanas. Ou daqui a quatro anos vai valer mesmo o quanto uma música é tocada no YouTube. Ou no próximo Snapchat. Enquanto isso, as grades expoentes do pop internacional estão se arriscando, se aventurando, saindo do lugar-comum.


Nada mais natural. Nada que a gente já não tenha visto antes.


O pop não precisa de salvação. Muito menos de uma salvadora.


Vocês é que, definitivamente, precisam andar para frente.


E bora de Paradinha que agora é a vez da Anitta.







Crédito das fotos: MTV, Spin e ATRL.

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