(No) sex and the city

Looking - Pôster

Quando li a notícia que a HBO estava preparando uma série sobre um grupo de amigos gays de São Francisco, logo me animei. Ainda me sentia um órfão de Queer as folk. O folhetim tinha lá seus defeitos, claro, e não eram poucos. No entanto, foi a primeira vez que presenciei os homossexuais – quase sempre restritos a amigos engraçadinhos de Carries e Hannahs – em destaque na telinha da TV (no meu caso, na telinha do computador). Então Looking estreou. Deixei acumular alguns episódios para conter minha ansiedade. Três deles depois, passei aqui para ter dois dedinhos de prosa com vocês. A decepção é gritante. Vou explicar tim tim por tim tim.


Looking - Carro


Começa assim. O protagonista, Patrick, é o gay fofinho. Ele trabalha com videogames porque ser médico ou advogado não é hype o suficiente. Logo na primeira cena, o cuti-cuti tenta fazer pegação no parque. Para no meio do mato e dá de cara com um barbudão tarado. Aí o telefone dele toca, ele sai correndo, cai no chão (owwwwwn, além de tudo é clumsy) e depois conta pros amigos enquanto eles andam na rua a caminho de um bar. É TANTA COISA ERRADA QUE EU NEM SEI POR ONDE COMEÇAR.


looking05.jpg


Continuemos. Aí entra a galerinha do barulho que apronta altas confusões. Um deles, cujo nome não me lembro, poderia muito bem herdar o apelido Pornstach de Orange is the new black ou Tom of Finland da era Whey. Ele tem seus 40 e poucos anos, mas, pelo visto, sofre da temida síndrome de Peter Pan e não quer envelhecer de jeito nenhum. Pois nosso bigode grosso também é, olhem só, o putão da série. Claro. Como iria faltar essa caricatura tão rica? Mas percebam o conflito. O bofe é garçom, queria ter um restaurante, não tem grana, tá meio perdido, boladaço, nada dá certo e aí… ELE TRANSA. Calma. Fica “melhor”. Depois das trepadas intensas ele fica tristinho porque sexo por sexo é vazio e não preenche o coração. 😦


Looking - Sexo


O melhor detalhe é o seguinte. Ele mora com a amiga moderninha que, pelo que entendi, é uma ex-namorada dele. QUE TUDO! Imagina. Eles devem ter perdido o cabaço juntos no ensino médio, engataram um namorico, mas aí ele começou a sentir que gostava de caras e aí começou a pegar geral e ela amava ele muito até engravidou mas perdeu e aí eles conversaram ela disse que sempre soube e eles se abraçaram e choraram e são amigos até hoje e ela não tem vida fica só ouvido sobre as fodas dele e comendo sucrilhos viva a mulher.


Passemos para os dois outros. O casal liberal. Logo no piloto, somos apresentados ao cubano Agustin e seu namorado. Podemos perceber que eles mantém a chama da paixão ainda acesa, pois fazem amor que dá pra ouvir até do outro quarto. Que lindo! Depois de um belo momento de romance, eles resolvem morar juntos. Aí aquela rotina de casal, né? Fumar maconha, comer pizza, assistir TV e dormir de cuequinha. Eis que acontece o seguinte. Um dia, depois de umas brejas com um brother macho, discreto e sem afetação, os estrupícios resolvem fazer um ménage à trois. POLÊMICA. Até porque, gente, um relacionamento monogâmico gay não existe, né, mores? Logo depois o tal do Agustin joga aquela frase. “Uma hora ou outra um ia trair. Melhor que fosse consentido”. Uma bela lógica. Aprendam.


Looking - Casal


Aí, cara, sente essa. Logo depois do ménage, o latino decide que quer ver Cuba lançar e considera a possibilidade de virar GAROTO DE PROGRAMA para complementar a renda do lar. Afinal, quem casa quer casa. Parece aqueles vídeos contra as drogas que as escolas passam no segundo grau. Começa com um baseado, logo depois, cocaína, o próximo passo é krokodil na veia seu braço gangrenando, maluco. Entendam, pois, os melefícios do sexo. Primeiro, ménage. Depois, prostituição.


Tá ficando bom, né? Segura. Voltemos ao protagonista. O fofolete tchutchuco está em crise. Tem o dedo podre. Toda vez que tenta transar, não consegue. Que saco. Deve ser porque transar é ruim, amar é bom, e um só consegue ser feito junto do outro. É MESMO! Como não pensei nisso antes? Pois bem. Um dia, do nada, ele, um cara esclarecido, inteligente e simpático que não consegue falar sobre nada que não seja sobre homens, fixa os olhos num magya orelhudo. O sonho de consumo dele não tem nenhum trejeito. Para todos os efeitos, poderia ser hétero. Ah. O sonho inatingível da conversão. Continuando. Ele dá em cima do cara e leva um belo toco. Adivinha? Esse mesmo homem é o novo chefe dele e ele não sabe. Gay’s anatomy. Daí começa uma paquera marota que provavelmente vai culminar com um beijo na chuva no meio da rua. BAFO. É assim mesmo que os relacionamentos começam e se mantém. Por mágica.


Looking - Romance


Eu deixaria todas essas besteiras de lado se ao menos conseguisse ouvir uma conversa sem revirar os olhos. Tava preparado até para algo do tipo inteligentões, smartões, cheios de referências. Só que é tipo assim:


– Ai.
– O que foi?
– Nada.
– Me conta.
– Não é nada.
– Pode me contar.
– Tá.
– Então…
– Será que ele gosta de mim?
– Por que você está perguntando isso?
– Sei lá.
– Hum.
– Acho que, no fundo, eu queria que ele gostasse de mim.
– É.
– Sabe?
– Sei, claro que sei.
– Acho que não vai dar certo.
– Não pense assim.
– Por que?
– Porque isso não leva ninguém a lugar nenhum.
– Ai.
– Fala.
– Sabe do que eu tô com vontade?
– De que?
– De tomar um frapuccino enorme.
– Cheio de chantilly.
– E calda de mirtilo.
– E um pouco de choco…
– Pare. Não aguento mais de vontade. Vamos?
– Vamos.
– Tem um café ali.
– Mas você paga, hein?
– De novo?

Os dois riem *


* Diálogo inventado por mim, mas que segue o padrão.


Looking - Ônibus


Looking está dando para os gays a mesma lição que a Disney deu para as mulheres: TRANSAR É FEIO, AMAR É MASSA. Quer saber? Na boa? Vão tomar no cu… isso é, se eles deixarem, né?




Para ler ouvindo: Marina and the Diamonds – Sex yeah







Crédito das fotos: TV Prime, The Daily Californian, Scout Sixteen, Hardinthecity, The Hollywood Reporter, Papel Pop e Papo de Blogueiro.

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Uma resposta para (No) sex and the city

  1. Billy disse:

    Finalmente uma opinião parecida. É cheio de clichê chato. Eu esperava algo bem mais ‘sofisticado’, por assim dizer. Um tédio. Bem o que tu disse, não dá pra passar um diálogo sem revirar os olhos.

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