Um método perigoso

As loiras fazem as melhores vítimas.
Elas são como a neve virgem que revela as pegadas sangrentas
.
Alfred Hitchcock




O cineasta francês François Truffaut disse certa vez que Alfred Hitchcock, seu contemporâneo inglês e mestre do suspense, gravava suas cenas de assassinato como se fossem cenas de amor e vice-versa. Tal afirmação é correta. O encantamento que Hitch, como assim chamavam os íntimos, tinha pelo crime, pelo mistério, não pode ser descrito de outra maneira do que como uma paixão arrebatadora e quase fulminante.


Mas talvez Hitch tivesse em sua vida uma paixão ainda maior. Elas eram as mulheres. Afinal de contas, o que é o amor sem uma musa inspiradora? Na vida real, teve Alma Reville, a esposa de uma vida toda. Já na extensa filmografia foram muitas. As principais, Ingrid Bergman, Grace Kelly, talvez a maior delas, e uma garota desconhecida. Tippi. Tippi Hedren. É nessa relação que o telefilme The girl, produção da HBO, se aprofunda. Estrelada por Toby Jones e Sienna Miller, a fita é inspirada no livro Fascinado pela beleza – Alfred Hitchcock e suas atrizes, de Donald Spoto (editado no Brasil pela Larousse).














A história mostra os bastidores de duas produções de Hitchcock. A primeira dela é Os pássaros, adaptação do conto de Daphne du Maurier, também escritora de Rebecca, a mulher inesquecível, levado às telas pelo cineasta em 1940. Hitch vinha daquela que seria considerada sua fase de ouro no mundo do cinema. Foi na década de 1950 que produções como Pacto sinistro (1951), Disque M para matar (1954), O homem que sabia demais (1956) e outras produções marcaram época culminando com Psicose (1960), sua obra-prima.


Era preciso reinventar as regras do jogo e eleger o nome de uma nova loira para abrilhantar os letreiros. Hitchcock já havia perdido duas para o matrimônio, as mesmas já supracitadas, Ingrid Bergman e Grace Kelly. A primeira foi centro de uma enorme polêmica ao se envolver com o cineasta italiano Roberto Rossellini ainda casada no papel com o sueco Petter Aron Lindström e, assim, partiu para a Europa. Já Grace abandonou Hollywood para ser princesa em Mônaco ao lado de Rainier III, a quem conheceu nas filmagens de Ladrão de casaca (1955) do próprio Hitch. Parecia que nenhuma outra atriz conseguiria encher os olhos do diretor novamente. Até que uma modelo o deixou intrigado.



Hitchcock, o original



Toby Jones representando o cineasta



Hedren posa com um de seus algozes cinematográficos na divulgação de Os pássaros



Sienna Miller como Tippi Hedren


Em The girl, é Alma (Imelda Staunton) que chama a atenção do marido, interpretado por Toby Jones, para uma bela mulher. Ela era Tippi Hedren (Sienna Miller). Transmitia glamour com o olhar e enquadrava-se perfeitamente na definição de loira gelada que Alfred Hitchcock adorava. Por trás do olhar glacial, um sensual e discreto fulgor. O fascínio foi imediato. Hedren foi convidada para estrelar Os pássaros mesmo sem ter nenhuma outra experiência no cinema a não ser como figurante.


Em meio a uma rotina exaustiva de filmagens, a atriz percebeu o interesse que Hitchcock mantinha nela, quase uma obsessão. Segue-se aí no filme assédio e tortura morais. Em meio a uma caprichada fotografia, The girl mostra essa simbiose destrutiva entre diretor e estrela, criador e criatura. Atormentada, Tippi Hedren nunca voltou a filmar com ele depois de Marnie – Confissões de uma ladra (1964), filme seguinte de Hitch. De todas as lendas, polêmicas e curiosas histórias apenas uma coisa sobrou. A garota. Imortalizada em película.




















PS 01: Hitchcock será retratado novamente no cinema em filme homônimo. Está prevista para fevereiro a estreia da produção que conta os bastidores de Psicose. No papel do cineasta, Anthony Hopkins. Helen Mirren fará o papel de Alma Reville enquanto Scarlett Johansson encarna Janet Leigh incluindo a famosa cena do chuveiro.








PS 02: Nem todo mundo sabe, mas a atriz Melanie Griffith é filha de Tippi Hedren. Em The girl ela “aparece” como uma garotinha. Numa dessas coincidências da vida, Melanie foi uma das estrelas de Dublê de corpo (1984), primeira produção de destaque em sua carreira, homenagem de Brian De Palma, um apaixonado por Hitchcock, à Janela indiscreta.








PS 03: Não é a primeira vez que o Loz Engelis fala de Hitchcock. Revisite os posts sobre os 50 anos de Psicose e sobre Grace Kelly.




Crédito das fotos: Pop Tower, Sinful Celluloid, Le journal de la photographie, Pop-break, Doctor Macro, Assignment TX, Sherobot, Doctor Macro, Cinelogin e Sala de exibição.

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