O rugido de Danuza



Danuza Leão tem muita história para contar. Nos anos dourados, encantou Paris – cidade que ama de paixão – desfilando alta-costura. Era amiga de Di Cavalcanti. Filmou com Glauber Rocha. Testemunhou o nascimento da bossa nova ao lado da irmã, Nara Leão. Circulava com passe livre na high society.





Há exatos vinte anos, deu o pulo do gato. Melhor, da leoa. Com o best-seller Na sala com Danuza entrou no mercado editorial dando dicas de comportamento. De lá para cá foram outros seis títulos, entre crônicas, memórias e dicas de viagem. Em sua nova obra, É tudo tão simples, ela aperta o pause nesse mundo que evolui a passos largos. A onda de Danuza agora é viver despreocupada, mesmo sabendo, melhor do que ninguém, que a festa não pode parar.





O livro reúne textos curtos sobre os mais diversos assuntos, abordados em ritmo dinâmico. Danuza fala de tudo, opina sobre tudo, mas sempre com conteúdo e de maneira deliciosamente bem humorada. O tema da vez é o desapego, seja ele das roupas que se não usa mais, da prataria guardada ou dos velhos preceitos e ideologias. Outras coisas, como aquela bolsa clássica, o diamante herdado e, principalmente, a educação, essas nunca saem de moda.





Entram também na roda temas como o amor (ah, sempre ele), a hercúlea tarefa de manter a privacidade com todos os iPods, iPhones e iPads do mundo atual e um guia de como lidar situações cotidianas, dos aviões lotados, passando pelas novas famílias com ex-maridos, esposas, filhos gays e os temidos netos.





É tudo tão simples é daqueles livros que a gente devora, lê de uma vez só. A bela edição, pontuada com ilustrações de Rita Wainer, neta da autora, que assume aqui o nepotismo sem medo (Pinky Wainer, filha de Danuza, também presta consultoria à obra), torna a leitura mais agradável ainda. Não se espante se você não conseguir largá-lo.


Também não se assuste se sentir dificuldade de pensar que hoje em dia, bombardeados por informação na selva de pedra da cidade grande, seja possível levar uma vida simples. Do alto de sua experiência, Danuza prova o contrário. E haja savoir faire – assim mesmo, em francês, do jeitinho que ela gosta.





É TUDO TÃO SIMPLES
De Danuza Leão (2011). 1ª edição. Editora Agir. 192 páginas.




Crédito das imagens: Revista Lunna, Richard Avedon para Harper’s Bazaar, Tomás Rangel e Editora Agir.


* Matéria minha publicada na edição de abril de 2012 da Revista Taguatinga Shopping. O exemplar pode ser baixado, gratuitamente, aqui.

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