Amargo regresso



Diz a velha máxima que “o bom filho à casa torna”. O soldado Nicholas Brody é esse bom filho. Sua casa é um país mergulhado em uma das mais sangrentas guerras da história. Após oito anos desaparecido, o oficial da Marinha é encontrado no Iraque e retorna para sua terra natal, os Estados Unidos da América. Apenas uma década se passou desde o fatídico 11 de setembro e o clima ainda é de incertezas.


A agente Carrie Mathison, da CIA, é a única que desconfia deste resgate milagroso. Ela acredita que o homem amado por todos como um herói da resistência pode ser terrorista capaz de cometer uma atrocidade. É essa a premissa de Homeland, sagrada ontem como a melhor série dramática no Globo de Ouro, e minha nova favorita da telinha. A trama teve sua primeira temporada exibida pelo Showtime nos EUA e em breve chega ao Brasil no canal FX.





Peraí. Vamos começar do começo, por favor. Se você, como eu, também não é muito chegado na guerra como tema de entretenimento, principalmente usada como propaganda nacionalista do tipo “caucasianos X barbudos”, não se preocupe. Homeland não é uma daquelas séries que subestima a nossa inteligência. Motivo este pelo qual, acredito, está fazendo tanto sucesso, tanto de público quanto de crítica. Um brinde aos criadores Howard Gordon e Alex Gansa, que basearam Homeland na israelense Hatufim, desenvolvida por Gideon Raff.


Passada a implicância inicial, resta mais uma questão, esta com nome e sobrenome: Claire Danes. Para mim, a bela loirinha estava para a arte como Céline Dion estava para a música: Danes sempre seria a Julieta insossa do Baz Luhrmann, Céline sempre a intérprete do tema de Titanic. Dei minha cara a tapa. E apanhei. Claire Danes, quem diria?, assumiu a protagonista de Homeland com P maiúsculo. (Já Céline continua sendo pra mim a desequilibrada do Titanic).





Chegou a hora de destrinchar, sem spoilers, todo o enredo. A narrativa começa com Carrie perdida nas ruas de Bagdá. É lá que a agente da Central de Inteligência recebe a confissão de um informante condenado a morte: o terrorista-mór Abu Nazir (Navid Negahban) recrutou um soldado norte-americano e planeja levar a cabo um atentado in the land of the free and the home of the brave.


Quando Nicholas Brody (Damian Lewis) é trazido de volta do combate, é nele que os olhos de Carrie se miram. De alguma maneira, ela acredita que Brody é o agente duplo. Há um porém: o alto escalão da CIA, personificado pelo chefe David Estes (David Harewood), e do governo, não acredita nela.





É agora que o enredo se complica. Longe de apresentar os personagens de maneira maniqueísta, Homeland primeiro nos insere em seus cotidianos para que aprendamos a nos importar com eles. Brody, ao voltar, é obrigado a se relacionar com a filha, uma adolescente rebelde (Morgan Saylor), com o filho (Jackson Pace), apenas um bebê quando ele partiu para o Oriente Médio, e com a esposa (a brasileira Morena Baccarin), que, pensando ser viúva, engata um romance com o melhor amigo dele (Diego Klattenhoff).


A vida de Carrie também não é das mais fáceis. Seguindo sua intuição, ela tem que ir contra a corrente para provar, apesar do apoio de Saul Berenson (Mandy Patinkin), amigo e mentor na agência, sua teoria. Acrescente um distúrbio psiquiátrico ao cenário e está armado o circo da conspiração e paranoia.





Percebemos ao longo dos 12 episódios da primeira temporada que o mais importante não é quem está certo e sim o porquê as coisas acontecem do jeito que acontecem. É esse o fator que nos faz roer as unhas até o talo. Existe vida inteligente na televisão? Sim. E Homeland é um raro e bom exemplo disso.





HOMELAND
Criada por Howard Gordon and Alex Gansa. Baseada na série israelense Hatufim, de Gideon Raff. Com Claire Danes, Damian Lewis, Navid Negahban, Mandy Patinkin, David Harewood, Morena Baccarin, Diego Klattenhoff, Morgan Saylor e Jackson Pace. Estreia em breve no canal FX.




Crédito das imagens: SpoilerTV, The Pony Remark, Hollywood Chicago e TVPedia.

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