A Godiva do Irajá



Eu não odeio a Lady Gaga. Nunca odiei. Porém, ao contrário de 90% do mundo hoje em dia, tenho inúmeras ressalvas com relação a ela. Claro que já virou um ótimo esporte falar mal dela por aí. A implicância agora é por puro prazer. Mas vou confessar que sempre curti a maluca. Antes da superexposição, quando eu ouvia o The fame (2008) no MySpace (porque nem lançado ele tinha sido ainda), nutria um grande carinho por aquela figura exótica de franjas e desejava que ela se desse bem nesse grande circo dos horrores que é a vida. Dois discos, vários clipes e milhões de pílulas para esquizofrênia jogadas no lixo depois, digo que não gosto mais tanto de Lady Gaga porque ela fez questão de se perder no personagem.





O pior de tudo é ver geral seguindo essa Charles Manson da música com vendas nos olhos e nos ouvidos. Uma Gaga, uma louca, uma feiticeira. Essa mulher é o diabo. “Nossa! A Lady Gaga apareceu na rua com um sapato na cabeça”. SÉRIO MESMO? Joga Björk no Google Imagens, amigão. Ou Róisín Murphy. Ou Grace Jones. Ou David FUCKIN’ Bowie. O que mais me irrita em relação a ela é esse culto Gagaísta lobotomizado. O The fame monster (2009) fechou o último botão dessa camisa de força com ombros marcados.





Algumas coisas, no entanto, são inegáveis. Lady Gaga é talentosíssima. Não só como cantora, mas como performer, marca e formadora de opinião (quaisquer que sejam elas). A Mãe Monstra pode parecer pinel, mas de boba não tem nada. Enfim, abri meu coração e vou resenhar Born this way, o mais recente álbum da doidinha.





Resolvi fazer algo diferente e vou comentar o disco faixa a faixa. No todo, parece que Gaga, coitada, quis inovar trazendo a volta dos anos 1980 e 1990 à baila. Só que ao invés de de fazer uma coisa mais pra 1984 ou mais pra 1998, ela me resolve fazer algo entre 1989-1992, sabe? Coletes, Corona e Cashmere Bouquet. Nesse emaranhado de loucuras costurado com tecladinhos, ela pinta e borda com o status de loser, infelizmente pendendo mais pra Glee do que pra Beck. Os “monstrinhos” podem até dizer que ela se inspirou no compositor clássico Rococóvsky, na artista plástica lésbica Xanatrusta Marshons e no estilista etíope Rebimbokaz, mas Born this way tá com corpo de Roupa Nova e cara de Terezinha Sodré. Senhoras e senhores, eis aí um exercício de pura paciência e dedicação.





Marry the night: Lady Gaga vai casar. “Contra quem?”, me perguntei. CONTRA A NOITE. Tadinha da noite. Só nos dá alegria. Que que ela te fez, menina? Stefanizinha Germanotta abre o disco com uma versão século 21 de What a feeling. Oh céus. PS: Nota-se aqui clara referência ao hit Um mundo só pra nós, versão de Eye in the sky, do Gáz. Só eu achei?


Born this way: Quando Gaga anunciou Born this way como seu terceiro trabalho, começaram, assim, os delírios. A faixa seria o I will survive do terceiro milênio enquanto o clipe que a ilustrava tinha tudo pra ser o novo Thriller. Saiu a música, saiu o vídeo. Era só isso? Mãe Monstra resolveu fazer um manifesto em prol de todas as minorias. Pagou de alienígena, unicórnio, botou metralhadora nas tetas. Tá, minha filha. E AÍ? Aí ficou pelada e fazendo dancinha. Melhor assim. Gaga de raiz. E eu nem achei a música parecida com Express yourself. Malzaê.





Government hooker: CARACA, MALUCO! Lady Gaga fazendo uma crítica social. Ela é uma puta do governo, velho. Que polêmicZZZZzzzzZZZZzzz.


Judas: Essa aí eu tenho que dar a mão à palmatória. Quando vazou eu meti o pau, chamei de uma traição ao bom gosto e o caralho a quatro. Me fudi. Ô, ô, ô, ô, tô gamado no Juuuuudaaaaaaaas, Juuuuudaaaaaas. Musicão. Esquece a letra nonsense, o clipe à la Auto da compadecida com coraçãozinho Restart e o visual que remete a Mara Maravilha na capa de Deixa a vida rolar. Toca aí, disque jóquei. Riiiiitmo, é riiitmooo de Juuuudas. PÁ, PÁ.





Americano: Dizem por aí que essa música fala dos imigrantes ilegais na terrinha do Tio Sam. Bem, escutar essa música me dá vontade de sair correndo do país no porta luvas de um Miura. Aí no meio da parada ela grita JÉSUZ CHRYSTOW assim, bem delusional. Quem não entende inglês pode até achar que é um CD da Aline Barros, porque a mulher só fala de Jesus, Jericó e da Galiléia dancante. Eu ainda acho que era melhor ter regravado Los amigos de mis amigas son mis amigos, sucesso de 1996 do Xuxa Dance.





Hair: Lady Gaga quer ser tão livre quanto seu cabelo. Bem, se suas melenas forem tão ruins quanto essa faixa, pode raspar.


Scheiße: MERDA em alemão. Fim.


Bloody Mary: Começou a melhorar, Gaga. Isso aí. Essa é muito boa. Uns ritmozinhos eletrônicos escrotos, letrinha grudenta, gritos e coralzinho. Ponto pra maluca.


Bad kids: AÍ SIM, GAROTA. Finalmente! Tem toda a parada sou loser, sou suja, bem grave, mas sou fodona, uso couro sintético e fumo Free Light. Merece virar single. Essa eu danço na boate.





Highway unicorn (Road to love): Avaliaria melhor essa depois de uns dois drinks, não posso negar.


Heavy metal lover: Pode ser qualquer música do álbum em backwards. Nunca saberemos.


Electric chapel: Exatos 4:13 minutos de minha vida jogados fora.





Yoü and I: A versão que vazou meses atrás, com Gaga tocando essa faixa no piano com os dedos do pé, absolutamente não faz jus a verdadeira. Bem bonitinha. Ressentida, mas bonitinha. Por que as pessoas não ligam mais pras boas baladas, né? Mais um pontinho pra doida.


The edge of glory: Essa música só pode ser viral da D-Edge, em São Paulo, porque não encontro outra explicação plausível para esse pedaço de lixo em forma de som. Em uma única palavra: saxofones.





Fim da tortura. Conclusões? Bem, uma só: sinto falta da antiga Gaga. Aquela bem vintage de DOIS ANOS E MEIO ATRÁS. Essa nova Gaga mãe monstra, ícone da moda, prosopopéica marxista mesozóica não me agrada muito. Na era em que um peido é um statement e em que os grandes pensadores só conseguem gerar 140 caracteres, ela é a melhor representante dessa geração, sem dúvida. Mas, na minha modesta opinião, pra virar rainha essa boba da corte ainda tem que comer muito arroz com feijão.


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Uma resposta para A Godiva do Irajá

  1. camila disse:

    goxxxxxxtei!

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