Os homens preferem as loiras



Em meados da década de 1950, Grace Kelly, no auge de sua carreira cinematográfica, foi a Mônaco filmar Ladrão de casaca, de Alfred Hitchcock. Ninguém imaginava que aquele seria um de seus últimos filmes. Naquele principado distante, ela seria a protagonista de um conto de fadas pós moderno até sua morte, em 1982, em um trágico acidente de automóvel.





Grace Patricia Kelly marcou história no cinema, mas virou eterna por ter se tornado a Princesa Grace de Mônaco, após casar-se com o Princípe Rainier III. Essa trajetória fascinante é contada com riqueza de detalhes e reconstituição brilhante em Os anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco exposição que tive o prazer de visitar neste último fim de semana, em São Paulo. A mostra, em cartaz no no Museu de Arte Brasileira da Faap, foi trazida ao Brasil pelo Grimaldi Forum e possui curadoria de Frédéric Mitterand.





São 12 salas divididas cronologicamente. O primeiro ambiente conta a infância de Grace, nascida Grace Patricia Kelly, na Filadélfia. A carreira como atriz começou depois que ela foi para Nova York, virou modelo e começou a atuar em especiais de TV e também na Broadway.





Não demorou para que ela adentrasse o mundo do cinema – é a parte Hollywood da exposição. Uma grande porta com o letreiro imortal e cortinas vermelhas abre essa nova etapa. Os visitantes podem conferir réplicas de figurinos, roteiros originais e o Oscar que Grace ganhou em 1953 por Amar é sofrer.



A sala Hollywood enumera os sucessos de Grace Kelly no cinema



Matar ou morrer (High noon, 1952), dirigido por Fred Zinnemann



Mogambo (1953), dirigido por John Ford



Amar é sofrer (The country girl, 1954), dirigido por George Seaton



Oscar por Amar é sofrer



Tentação verde (Green fire, 1954), dirigido por Andrew Marton



As pontes de Toko-Ri (The bridges of Toko-Ri, 1954), dirigido por Mark Robson



O cisne (The swan, 1956), dirigido por Charles Vidor


A beleza clássica e gélida da loura, aliada a uma sensualiadade velada e explosiva, chamou atenção de Alfred Hitchcock, o grande mestre do suspense. A relação entre a musa e o diretor ocupa um espaço de destaque na mostra. Uma reprodução do prédio em que James Stewart bisbilhota os vizinhos em Janela indiscreta (1954), uma das três colaborações de Grace com Hitch, é o cenário para o especial Hitchcock. Ela ainda atuou em outros dois filmes dele, Disque M para matar (1954) e Ladrão de casaca (1955).



Grace e Hitchcock nos bastidores



Réplica do cenário de Janela indiscreta na exposição






Disque M para matar





Janela indiscreta






Ladrão de casaca


No Festival de Cannes de 1955, Grace conheceu o Principe Rainier de Mônaco. Ele não se importou com as especulações de inúmeros casos que ela teria tido com outros atores (Clark Gable, que trabalhou com ela em Mogambo, teria sido um deles). Eles se apaixonaram em tempo recorde, noivaram e causaram frenesi na imprensa.





Logo depois, Grace estrelou aquele que seria seu último filme, Alta sociedade, com Frank Sinatra e Bing Crosby, e partiu para Mônaco de navio.






Frank Sinatra canta You’re sensational para Grace Kelly



Bing Crosby e Grace no dueto True love


A história de amor entre Grace e Rainier é mostrada nas salas Encontro e Casamento. Tinha início a era Grace Kelly Grimaldi. A boda foi televisionada mundialmente, parte de um acordo entre a futura princesa com a MGM – a estilista Helen Rose desenharia o vestido e o estúdio arcaria com os custos, desde que tivesse os direitos da transmissão. A peça icônica, que inspirou tantas apaixonadas em mais de meio século de história, também está lá (com o perdão da ousadia, comparar o vestido de Grace com o da princesa Catherine Middleton é a mesma coisa de comparar Coca-Cola com Guaraná Dolly).














Matéria da ABC sobre os 50 anos de casamento de Grace e Rainier, exibida em 2006



O vestido de casamento


O sapato da princesa


Vieram, então, os herdeiros de Mônaco – os príncipes Albert, que esteve presente na abertura da mostra, e as princesas Caroline e Stéphanie (Não sei se é caça ou caçadora, se é Diana ou Afrodite ou se é Brigite, Stephanie de Mônaco, aqui estou inteiro ao seu dispor).





O espaço Maternidade e família mostra os vídeos caseiros do clã Grimaldi em projeções nas paredes: Caroline e Albert pequerruchos brincando com mangueiras, mamãe Grace esquiando nos alpes e toda a família reunida em alegres períodos de veraneio. As roupinhas das crianças estão expostas, bem como bilhetinhos da criançada para Grace e até mesmo os menus que as babás tomavam de base para a alimentação da realeza mirím.





A sala Amigos exibe um vídeo de visitas ilustres ao palácio como a de Alfred Hitchcock e Bing Crosby. Também podem ser vistas (e lidas) cartas de Frank Sinatra, Greta Garbo, Richard Burton e outros, destinadas à princesa Grace de Mônaco. Trabalhos comunitários e a paixão de Kelly pela jardinagem estão logo ao lado nas salas Jardim Particular e Mulher Secreta.








Como não poderia deixar de ser, a moda construiu um importante legado da trajetória de Grace Kelly. A sala Bailes mostra vestidos da princesa usados em diversas ocasiões especiais.





A Sala Real mostra aspectos da realeza de Mônaco, incluindo a reprodução de uma mesa de banquete, as joias da coroa e uma belíssima parede com reproduções de capas de revistas estrelando Grace Kelly.











Em Glamour e Princesa, outros modelos de vestidos e indumentárias. Há croquis de Yves Saint Laurent, óculos vintage e as toucas, muito populares na década de 1960.






YSL legítimo inspirado em obras do modernista Mondrian



Grace, ao lado do presidente norte-americano John Kennedy, com uma de suas famosas toucas


A Kelly Bag, da Hermés, diretamente associada a Grace, ganhou réplica gigante rodeada de por outras reproduções da mesma bolsa em outras roupagens. Em tempo: criada em 1935, a bolsa Sac à dépêches ganhou o apelido de Kelly Bag após ser vista no colo da princesa em foto de 1956 publicada na Life.



Kelly Bag: it-bolsa histórica





Mais do que uma exposição de arte, Os anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco é uma aula de história, contada por meio de documentos, cartas, joias, vestidos e peças únicas. Símbolo de elegância e talento, Grace Kelly vive.





OS ANOS GRACE KELLY, PRINCESA DE MÔNACO
Museu de Arte Brasileira da FAAP. Rua Alagoas, 903, Higienópolis. São Paulo – SP. Até 10 de julho. De terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. Entrada franca.
http://www.faap.br/museu

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