Eu quero ter um milhão de amigos



Vendo o trailer, lendo a sinopse ou ouvindo conversa na fila de banco, você pode até achar que A rede social, filme de David Fincher sobre a criação (e os criadores) do Facebook, o maior site de relacionamentos da web, fala essencialmente sobre internet, fenômenos midiáticos e afins. Não é bem assim. O filme sobre o Facebook (Face – lê-se Fêissi – para os íntimos), pelo menos para mim, diz respeito à força das amizades e o lado obscuro do poder. Nesse ponto, a tagline do produção não poderia ter resumido melhor a parada: você não faz 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos.





O livro Bilionários por acaso, de Ben Mezrich, deu o norte ao roteiro de A rede social. Então, o mote é pura maconha no papel de jornal: baseado em fatos reais. E eu não tô nem aí se foi tudo inventado – acreditei em tudo mesmo. Sou tipo velha que assiste novela e, no supermercado, bate na atriz que interpreta a vilã do folhetim.


Mark Zuckerberg, um punheteiro que estuda computação em Harvard, esquece de tomar sua Ritalina com Toddynho e fica puto porque toma um pé na bunda da namorada cult/ciências sociais/leitora de Hannah Arendt. QUEM-NUNCA? Pois bem. O garoto, vivido nas telas por Jesse Eisenberg (um Michael Cera em versão gangsta bitch), volta para o dormitório na pior, começa a tomar uma cervejinha e, como todo grande homem dos tempos contemporâneos, mete o pau na garota, no mau sentido mesmo, em um blog. Ah, a internet e sua capacidade de dar voz a qualquer um (inclusive a mim. Tchu-tchu-tchu-PÁ). O diabo do moleque hackeia os servidores dos clubinhos de Harvard e monta um site comparando as periguetes da faculdade entre si. Para montar essa palhaçada, Mark teve a ajuda do melhor amigo, Eduardo Saverin (Andrew Garfield). O negócio vira um sucesso, ele derruba servidores de tantos acessos e vira sensação.


Aí que começa a ficar bom: quando a fofoca do site se espalha pelo campus (prestem atenção na legenda do filme em português – eles colocam FACU para que os jovens pareçam mais descolados. Eu aguento?), os gêmeos Winklevoss (Suspiros infinitos para Josh Pence, que interpreta os dois), também estudantes de Harvard, recrutam Mark para fazer um site de relacionamentos exclusivo da universidade. Bom, Mark cata a ideia, dá o perdido, monta o Facebook, enche o cu de dinheiro e o resto é história e processo.





O filme começa meio arrastado e logo apresenta Zuckerberg como O babaca. Olha, se a intenção do roteirista Aaron Sorkin foi fazer todo mundo odiar o figura, ele conseguiu com louvor: quase apago meu Face para fazer uma conta no Badoo ou no Quépasa. O filme só começa a engrenar mesmo quando somem as baboseiras tecnológicas de script, códigos e outras coisas que eu não entendo nada (Eu escrevo meus textos no Bloco de Notas e até hoje edito fotos no Paintbrush. Você queria o que, criatura?).


Depois, lá pela primeira hora, é que a chapa esquenta de verdade. Entre duas acariações judiciais, uma com Eduardo e a outra com os gêmeos Ken-versão-Barbie-Malibu, conta-se a história desse novo império moderno. No meio, claro, entram o deslumbre da grana, a ascensão meteórica e um clássico estraga-festas: o amigo fura-olho (este último interpretado em diversos tons de douchebagness por Justin Timberlake. Alguém me diga por que CARALHOS o Justin acha que pode atuar? Por favor). É nesse balaio de gato que surge outra questão, talvez a principal da fita, digna de Maria de Fátima Acioli: Mark Zuckerberg tinha UM amigo, acabou perdendo-o e fazendo outros milhões. E agora, José? Vale a pena fuder a vida dos outros para subir na vida?



O “verdadeiro” Mark Zuckerberg, pessoa do ano (Pfff) da Time


Concluo, então, que, em resumo, o filme de David Fincher, com ou sem prêmios, críticas favoráveis e afins, pode ser resumido em uma singela frase: Amigo é amigo e FILHO DA PUTA É FILHO DA PUTA. Eu curti isso. (Y).


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3 respostas para Eu quero ter um milhão de amigos

  1. Lourenço disse:

    Tô curioso pra ver o filme!

    Apesar de já imaginar o tanto de exageros e reviravoltas hollywoodianas que devem ter inserido na história de mais um nerd que deu certo nesse mundo, vou tentar não me focar nisso e curtir os barracos, tentando diferenciar os amigos dos filhos da puta.

    (e pessoa do ano para mim é NaOnka Mixon, ok, Time?)

  2. No Survivor da vida real, leva a melhor quem empurra a que não tem perna. É mole?

  3. Gabriela Prado disse:

    Adorei o filme!!
    Só pra deixar claro, eu adoro o Justin! haha
    Beijos

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