A última rainha da França



Numa época em que o glamour imperava junto das coroas do absolutismo, a princesa Antoine saiu da Áustria rumo à França para uma jornada que mudaria sua vida e o mundo, inaugurando uma nova era na história. Em solo francês, a arquiduquesa virou delfina. Passou a rainha consorte. Veio a revolução. Tranformou-se em viúva Capeto e dopois foi reduzida a uma cabeça guilhotinada. Seu nome é um símbolo: Maria Antonieta. Confesso que estou meio obcecado com o tema. Sempre admirei as figuras femininas fortes. É só dar uma rápida folheada no blog para perceber. Conhecer Maria Antonieta a fundo é conhecer A figura. Promíscua, rainha da dívida, tirana… Ao longo dos tempos muitos adjetivos caminharam lado a lado ao nome dessa personalidade que ultrapassa eras.





Na biografia Maria Antonieta, de Antonia Fraser, a vida desse mito é contada com riqueza de detalhes. Comprei o exemplar há tempos, depois de ficar fascinado com o filme de Sofia Copolla, de 2006. Só que o excesso de minúcias e detalhes históricos acabou minando meu interesse. Depois de duas tentativas frustradas, consegui finalmente fechar a última página. Minha análise é de que Maria Antonieta, talvez, seja o primeiro exemplo de celebridade da história. Nas mais de 500 páginas da obra, Fraser conta o peso da importância da menina que saiu dos braços da mãe, a severa Maria Teresa, para ser servida. Numa passagem interessante, Maria Antonieta conta a sua genitora por meio de uma carta: “Lavo as mãos e passo rouge na frente do mundo inteiro”.





Ela, a princípio, era a promessa de novos dias e aos poucos foi execrada pelo próprio povo que adotou como seu. Num modelo das revistas de fofoca de hoje, libelles e gazettes mostravam a rainha como uma devassa que vivia as voltas com milhares de homens, uma messalina. De acordo com uma lenda, que veio muito antes dela subir ao trono, diga-se de passagem, ao ser avisada que o povo francês passava fome devido a escassez de pão, ela teria respondido: “Que comam brioches”. Pintada de diabo devido a má administração de seu marido, Maria Antonieta foi o símbolo de tudo o que os franceses pré-revolução abominavam.



Maria Antonieta foi interpretada por Kirsten Dunst em filme de 2006.


O filme de Sofia Copolla é um relato correto dessa história, ainda que pule as partes mais sofridas. Se por um lado peca pela excessiva vibe comédia romântica/Super sweet sixteen e pelos diálogos paupérrimos, por outro, a fita compensa no visual magnífico, na trilha sonora absurda (Maria Antonieta correndo ao som de The Strokes, um baile com Siouxsie and The Banshees e New Order de tema de fundo. How cool is that?) e nas cenas onde mostra que a rainha da França era, no fundo, no fundo, uma menina como outra qualquer.





PS: Aperte o rewind no calendário e confira o ensaio baseado em Maria Antonieta para a Vogue América em sua september issue de 2006. Kirsten Dunst, como no filme homônimo, encarna a rainha em fotos de Annie Leibovitz.































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Uma resposta para A última rainha da França

  1. Cris disse:

    Vou confessar que tive preguiça de ler o livro, e também não me animei para ver o filme, mesmo sendo de nossa amiga Sofia … Maria Antonieta não é dos meus mitos históricos prediletos, mas acho que agora vou dar uma chance ao filme.

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