OMFG!



O conceito de erotismo pode ser tão confuso quanto o conceito de arte. Quando estes dois temas se juntam fica fácil enveredar-se pelo lugar comum. Mas arte erótica não é pornografia. Não é libertinagem. Pelo menos, não só isso. Arte erótica tem sexo, tem gente pelada, tem perversão? Vezes, sim. Vezes, não. Arte erótica é sugestão, choque, êxtase. É luz, é cor. É foto, é pintura. É drama, é comédia. É pau. É pedra. E é até o fim do caminho, com perdão do eufemismo grotesco. A internet substituiu as revistinhas temáticas, dos cartoons eróticos de Zéfiro às coelhinhas de Hugh Hefner, com uma quantidade avassaladora de hardcore em suas ondas virtuais. Entretanto, nesse mesmo meio fértil de proliferação da safadeza gratuita, muitas vezes o erótico vem em roupagens artísticas e mesclando elementos de outras áreas.








A mistura do erotismo em várias bases, desde o bizarro ao sadomasô, com uma pitada de nonsense e atitude, é a proposta da revista online WLTF, sigla em inglês para Who would you like to fuck? (em bom português, quem você gostaria de… é, isso mesmo). Em apenas quatro edições online a publicação exemplificou ideias sem se importar com credo, cor ou orientação sexual, por meio de fotos e conceitos ousados.





A colaboração de internautas abastece o endereço online que, infelizmente, não é atualizado há um tempo. A página, administrada pelo brasileiro Rodrigo Novaes, que vive entre Berlim e Londres, está em processo de expansão. De acordo com seu website oficial, o alvo da WLTF magazine é “puramente a arte fotográfica e ideias que são ou giram em torno do desejo sexual, sem ser somente pornográfico. A WLTF é sobre a subjetiva expressão de nossos desejos internos mais secretos e todas as diferentes leituras que essa justaposição de imagens”.





O Tumblr, espécie de fotolog da nova geração, mostra ao internauta que um bom olho e aguçado senso crítico podem ser suficientes para explorar a arte erótica. É o caso do Pornceptual, que, ao contrário da WLTF Magazine, poupa a sugestão e investe na crueza de detalhes da gama sexual – o site ostenta em bits e bytes falos avantajados, receptáculos visto de ângulos quase clínicos e a junção destes e outros elementos nas mais criativas incursões.











Uma das mentes que move a publicação é a de Chris Phillips, 21 anos, estudante de antroplogia e fotógrafo conhecido na noite brasiliense pelo blog Every Disco Night, onde registra cliques vanguardistas das baladas da capital. Ao lado dos amigos Carol Stiler e Alceu Shmidt, Chris edita o site, quase sempre inspirando-se em outros Tumblrs especializados no assunto e publicações como a própria WLTF Magazine. O interesse dele pela arte erótica surgiu ao mesmo tempo do interesse pela fotografia. “Vi que vários fotógrafos que eu admiro trabalham muito bem com essa temática, sem sair do domínio da arte. Eu gostaria de trabalhar um dia com esse tipo de fotografia também, mas por enquanto vou ir mantendo o Pornceptual como arquivo para referências posteriores”, contou ao blog. Confira três perguntinhas que Chris respondeu ao Loz Engelis:



Christian Phillips em auto-retrato


Quais os critérios que você usa para editar o material? Pode destacar alguma foto ou ideia que tenha te chamado mais atenção?


Buscamos uma representação não-usual de imagens com teor pornográfico. Uma foto que exemplifica bem isso e eu acho bastante impressionante é uma imagem composta: de um lado, há um homem excitado com uma suástica tatuada, do outro lado há um corpo de um porco. É estranho perceber como as imagens são parecidas, porque a pele humana tem quase a mesma cor da pele de porco.








Sendo fotógrafo, você planeja fazer algum trabalho que envolva a arte erótica desta vez, ao contrário do site, de maneira autoral?


Sim. Seria ótimo transformar o Pornceptual em um site com conteúdo autoral. Já fotografei alguns nus, mas é sempre muito complicado achar gente disposta a se expor dessa forma sem receber dinheiro em troca. Fica aqui o convite pra quem aceitar ser fotografado entrar em contato comigo.











Você acha que existe algum limite entre a arte e o erótico (moral, ético ou o que seja)?


A pornografia comercial não tem uma preocupação estética tão criteriosa como a arte. É esse o limite. O artista vai ter um cuidado estético próprio e uma visão diferenciada. O limite está na forma de representação, não no conteúdo. As pessoas precisam passar a entender que é possível fazer arte e pornografia ao mesmo tempo. Apesar do “nu artístico” ser aceito com mais facilidade, é tudo uma grande hipocrisia. Acham que uma foto de nu só pode ser artística se não for explícita. Eu discordo profundamente. A qualidade da arte está na representação, não no que está sendo representado. É claro que o artista tem que trabalhar dentro dos limites da legalidade. Mas a arte não precisa se preocupar com questões morais. Deve ser um território livre de expressão.














Outros Tumblrs como o Schund & Schmutz e o Ambidextrously Erotic também dá vazão ao explícito, em acervo vasto e bem variado. As curiosas capas de revistas chamam atenção – célebres como a Hustler ou undegrounds como a Satanika. Até Vera Fischer está por lá, no cartaz de A super fêmea, clássico das pornochanchadas brazucas.














Corpos, toques, fodas e, até mesmo, romance. O sexo, em todas as suas variações, passa do ridículo ao poético. Tão excludentes como água e óleo no campo metafísico, religião e erotismo se misturam, sim, na web, com eclesiásticos em formas fetichistas e símbolos profanados em contestação artística. O sexo pode ser engraçado e o choque de culturas e orientações sexuais propicia isso quase sempre. É quase possível deixar o lado antropológico de lado e achar curioso, por exemplo, o excesso de laquê e permanente das starlets eróticas da década de 1970 ou ainda as palavras de baixo calão em muitas línguas e expressões. Os homossexuais, masculinos e femininos, que assim como as mulheres heterossexuais quase sempre são vilipendiados na expressão de seus desejos carnais, também têm seu lugar ao sol nas publicações virtuais.





























O negócio é se despir dos preconceitos e conceitos (até literalmente, se assim quiser) e navegar sem medo. Os pudicos que me perdoem, mas um pouquinho de sacanagem não faz mal a ninguém.

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Uma resposta para OMFG!

  1. camila disse:

    david lachapelle + pam anderson deu certo em todas, como pode?

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