Psycho killer, qu’est-ce que c’est?

Há tempos que eu queria criar uma sessão aqui no blog chamada Oldies, but goodies, feita com o propósito de, como bem diz o nome em inglês, homenagear filmes, livros e discos de outras épocas. Hoje, dia em que comemora-se os 50 anos de lançamento de Psicose, pareceu-me uma boa ocasião – além de clássico do suspense, o filme em questão, dirigido pelo mestre Alfred Hitchcock, é um dos meus xodós cinematográficos. Ok, patrulha: Cidadão Kane é e será o escolhido de muitos nas pretensiosas listas de “100 melhores filmes do século”, “Produções mais incríveis do milênio” ou qualquer outro top que o valha. Coloque também buscando o pódio Casablanca, Doutor Jivago, E o vento levou…, blá, blá, blá. Mas eu me arrisco a dizer o seguinte: é impossível falar de cinema e não falar de Psicose.





Se pararmos pra pensar, 50 anos é chão pra cacete. O filme envelheceu em questões frívolas de tecnologia, óbvio, mas como é possível uma produção da década de 1960 ainda deixar a gente de cabelo em pé? Em uma época que a internet era sonho de ficção científica, ou seja, não existiam spoilers jogados a torto e a direito pela família Restart no Twitter, Hithcock já mantinha a aura de suspense intocada mesmo nas filmagens – era ordem dele que os atores nada revelassem sobre o enredo. Ele ainda começou uma questionável campanha de marketing que não permitia que os espectadores entrassem nas sessões após o início da exibição de Psicose. O diretor inglês, que atingira seu ápice na década de 1950 com Janela indiscreta (1954), Um corpo que cai (1958) e Intriga internacional (1959), tornou este filme realidade com um módico orçamento de menos de U$$ 1 milhão (ouviu isso, James Cameron?). Hitch aproveitou os estúdios onde filmava seu programa de TV, Alfred Hitchcock presents, e também a mesma equipe, tudo para economizar. Baseado no livro de Robert Bloch, o desconhecido Joseph Stefano tirou o gore da obra original e a adaptou à elegância sinistra de Hitchcock.





O mote parece simples: Marion Crane (Janet Leigh) é a secretária de uma imobiliária que martiriza-se por não conseguir laçar o namorado Sam Loomis (John Gavin), um simples homem absorto em dívidas e que, por esse motivo, não pensa em casar-se. Numa tarde, seu chefe pede que ela deposite U$$ 40 mil no banco, pagamento de um rico fazendeiro. Sem pensar nas consequências, Marion embolsa a grana e parte para encontrar o affair. Uma chuva forte faz com que a moça pare numa pousada vazia à beira da estrada, o Bates Motel. Norman Bates (Anthony Perkins) entra em cena e o resto é história. E que história. Quem passou a primeira meia hora imaginando que Psicose seria sobre a dualidade moral de uma mulher apaixonada, mal pode se segurar na cadeira quando os agudos violinos de Bernard Herrmann anunciam a famosa cena do chuveiro, também o ponto de partida para o verdadeiro plot da obra.





Poderia enumerar as inúmeras curiosidades e trívias do filme, mas não vou. Só deixo aqui o apelo. Se você nunca viu Psicose, faça-se um imenso favor e VEJA. Se já viu, VEJA NOVAMENTE. Numa era de filmes imbecis com roteiros atrapalhados e altas confusões, ele continua sendo um refresco para os olhos, mesmo que, por vezes, fechemos as pestanas inundados na aura de mistério que só Hitchcock sabia fazer. Cinco estrelas é POUCO.



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2 respostas para Psycho killer, qu’est-ce que c’est?

  1. Cris disse:

    Adorei o post, velho Hitch merece a homenagem!

  2. Cinematograficamente falando, o velhinho ainda dá um caldo, vamos combinar. Hehehe. 😉

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