Um dia daqueles

O series finale de Lost, exibido nos EUA no último domingo, foi sem dúvida o assunto da semana entre nerds, aficcionados por cultura e ligados no mundo pop em geral. Foram seis temporadas de “A ilha me disse”, “Confie em mim”, “Você ainda não está preparado”, mortes que deveriam ser impactantes, viagens no tempo picaretas e outros recursos que transformaram a antiga série de mistério em novela da Globo, no melhor estilo Viver a vida adentra Pantanal. E não me venham com essa palhaçada de que Lost “não era sobre respostas e sim sobre perguntas” porque isso é desculpa pra justificar a falta de criatividade desses oportunistas da TV.





O fim foi bonito, sim. Se eu chorei? Óbvio, mas eu choro até com o episódio mais canalha de Glee. O que não engulo é o fato de que o final da série não tenha tido nada a ver com o programa pelo qual eu me apaixonei. Dito isso, dedico esse post ao fim de outra série que também acabou essa semana e, ao contrário de Lost, nunca enganou seu telespectador: 24 horas.





Tá bom. Não enganou, mas teve lá seus abusos. 24 horas É uma série mentirosa. Claro que sim. Não há MacGayver e Chuck Norris que cheguem aos pés de Jack Bauer. O cara consegue projetar uma hecatombe nuclear com um chiclete mascado e uma foto da Susan Boyle. Admito o exagero e isso não faz a menor diferença. Ilhas que mudam de lugar e ursos polares na selva também não são coisas nada plausíveis, tá, Cláudia? Esclarecido isso, let’s move on.


Por oito temporadas, Jack, o herói às avessas, agiu das piores maneiras possíveis em busca de verdades. Foram ameaças terroristas, bombas, vírus experimentais, um milhão de mortos, tortura, sequestros e o escambau. Cada episódio era quase como um filme. O formato da série, com episódios em tempo real (menos 20 minutos de comerciais), foi um avanço absurdo. Ok, ok – os personagens não vão ao banheiro, não tomam banho ou trocam de roupa durante todo o dia retratado em uma temporada. Pfff. Dane-se. Jack Bauer, seus dramas e conflitos, fazem 24 horas valer a pena, sem esquecer das sequências de ação e os cliffhangers absurdos, abmudos e abcegos.





O que fica claro é que a série, mesmo cancelada aos 45 do segundo tempo, fez bonito ao se despedir. O derradeiro episódio 24 deste ano, o fim, não esclareceu mistérios, não teve casamentos, redenção ou qualquer coisa desse tipo. Jack Bauer continuou sendo quem sempre foi: um homem que que sacrifica o sofrido horário de almoço para salvar o mundo e luta para viver da melhor maneira que pode. Afinal de contas, não é todo dia que alguém prova um argumento matando um terrorista a dentadas. Entretenimento e nitroglicerina pura. Tic tac, tic tac, tic tac.

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