A pergunta que não quer calar

Muito se falou do novo clipe de M.I.A., a musa do Sri Lanka radicada em Londres que mistura funk com eletrônico e outros ritmos. Em Born free, ela, com ajuda do cineasta Romain Gavras, conta uma história de perseguição e violência, tendo os ruivos simbolicamente como público alvo. Com cenas perturbadoras, o clipe logo foi censurado no You Tube e alcançou altos níveis de controvérsia pela cena onde um garoto é executado à queima roupa.





Em outro viés, mas com o mesmo propósito contestador, a diva soul Erykah Badu lançou o vídeo de Window seat. A faixa é o primeiro single de New Amerykah Part Two (Return of the Ankh), a segunda parte de uma trilogia fonográfica de Badu – a primeira foi New Amerykah Part One (4th World War). Filmado em um único take, o vídeo acompanha a cantora nas ruas de Dallas, no Texas. Aos poucos, durante os quase seis minutos de projeção, Erykah tira a roupa peça por peça, encaminhando-se ao local exato onde o presidente John F. Kennedy foi assassinado em 22 de novembro de 1963. O modo de filmagem homenageia Lesson learned, clipe de Matt & Kim em que a dupla desfila nua pela Times Square em Nova York.





Nessa caminhada, o strip nada sensual causa apreensão. Os pedestres também olham espantados, confirmando a veracidade da cena. O medo da cantora ser presa por atentado ao pudor deixa o telespectador grudado na cadeira. Seguidora do islamismo, negra e com um porte físico que foge aos padrões, Erykah desafia não só a polícia, mas também a opinião pública ao transmitir em um clipe simples e sem recursos a atmosfera de medo e desconfiança da sociedade norte-americana atual. Quando leva um tiro imaginário ao fim do vídeo, o monólogo de Badu (veja abaixo) choca mais do que qualquer pedaço de pele mostrada ou recurso de violência extrema. Essa é exatamente a diferença.


“Eles são seguros e rápidos para assassinar o que não entendem. Eles andam em grupos, ingerindo cada vez mais medo em cada ato de medo para com o outro. Eles sentem-se mais confortáveis com seus iguais, menos culpados para engolir. Eles são nós. Isso é o que nos tornamos, receosos de respeitar o indivíduo. Uma única pessoa com motivações próprias pode fazer a outra mudar, se amar e evoluir”


Erykah Badu – Window seat



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