A marca da maldade

O homem que não conhece mulheres doentias não conhece as mulheres.
Silas Weir Mitchell (1829-1914)


Tidas como seres pacíficos de acordo os preceitos do senso comum, as mulheres foram inegavelmente subestimadas em toda a sua trajetória. É correto afirmar que a crueldade não é um dos atributos que lhes é dado usualmente. Essa ideia é refutada pela autora Shelley Klein (foto), no livro As mulheres mais perversas da história, que se baseou em quinze histórias reais para criar uma narrativa chocante e desafiadora.





“Como um ser capaz de gerar um filho pode matar?”, seria a pergunta que muitos se fazem ou fizeram para tentar encontrar explicação para os sentimentos cruéis de tais mulheres. Com a companhia e influência de homens ou não, estas figuras são retratadas em diversas épocas e nacionalidades – dentre elas estão as históricas Valéria Messalina (17 d.C. a 48 d.C.), que cunhou o termo leviano dos dicionários atuais; a imperatriz chinesa Tsi-Hi (1835-1908), a Rainha Ranavalona I (1782-1861), de Madagascar, e Elena Ceausescu (1916-1989), primeira-dama romena. Longe dos mandos e desmandos da realeza, donas de casa e secretárias aparentemente pacatas também foram responsáveis por assassinatos terríveis, que envolviam decapitações, estrangulamentos, abusos físicos e psicológicos e venenos como o arsênico. É o caso de Lizzie Borden (1860-1927), Rose West (ainda presa na Inglaterra), Myra Hindley (1942-2002) e outras.


O mais lembrado deles, retratado na obra em questão, com certeza é Aileen Carol Wournos (1957-2002), chamada por Klein de “amante do mal”. Com uma vida marcada pelo abandono e pela agressão, Wournos virou prostituta e daí começou sua jornada de matança. É considerada a primeira mulher serial killer norte-americana. Aileen manteve sua dupla vida criminosa em segredo enquanto conseguiu, até mesmo da namorada, Tyra Moore (que mais tarde foi a principal testemunha de acusação no processo que a condenou), e matou pelo menos seis homens. A história dela virou filme: Monster – Desejo assassino (2003), que consagrou Charlize Theron com o Oscar de Melhor atriz.








Mesmo o mais cético dos leitores deve preparar o estômago, pois o relato da vida destas mulheres tão sádicas e cruéis causa choque e indignação, para dizer o mínimo. Estas personagens reais de As mulheres mais perversas da história provam que a maldade não tem idade, raça e orientação sexual, mas podem chegar sorrateiras usando o mais vermelho dos batons.





AS MULHERES MAIS PERVERSAS DA HISTÓRIA
De Shelley Klein (2003). Tradução: Dinah Abreu de Azevedo. 2ª edição. Editora Planeta do Brasil. 278 páginas.

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5 respostas para A marca da maldade

  1. Bruno Jaques disse:

    Tô doido pra ler! Adoro figuras femininas fortes.

  2. Cris disse:

    Tenho um lado mórbido que é fascinado por esse assunto: a capacidade inesgotável do ser humano de ser cruel com seu semelhante. Talvez porque essa capacidade reside em todos nós, e é assustador pensar nisso. Boa dica, tá na minha lista para futuras compras!

  3. Cris, tá super barato na Fnac. Dá uma olhada no site depois. Comprei por R$ 9.90. Um achado.

  4. Romero Rios disse:

    Talvez pela “dívida” que temos (os homens) com Elas em milênios de opressão, humilhação, rudeza, egoísmo machista, etc, etc… vejo como um bálsamo estranhamente (e excitantemente) amoral a existência dessas Mulheres. Mais do que apenas fortes, elas nos fazem lembrar quão equivocados estamos nas apressados conclusões esteriotipadas acerca do ser humano. O paradoxo que sempre atrai as atenções… Como explicar a doçura, a meiguice feminina sempre presente nos olhares, falas e gestos.. transmutar em feroz sadismo, atroz violência casada com um sensualismo sem limites? Belo e assustador quadro. Instigante e repugnante conduta. A maldade feminina como contraponto ao senso comum, Não, Elas não são o sexo frágil. Nem nós, ridículos dinossauros masculinos, dignos de estar (sequer) aos pés Delas.

  5. Luena Furtado disse:

    Logo qe foi traduzido, minha tia ganhou de um professor qe disse qe era a cara dela, mas se enganou, pq sua aluna não leu nem três histórias, enquanto qe sua sobrinha meiga, doce e delicada (Eu), li 4 vezes no mesmo ano, e atualmente estou prestes a completar dez leituras! Simplesmente perfeito! Além do filme Monster, mostrado nessa reportagem, tem o Karla – Paixão Assassina (título nacional) Da Karla Homolka.
    Bjss

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