A fantástica fábrica de doces da rainha



Eu sou suspeito, aliás, suspeitíssimo para falar de Madonna. Quem me conhece (e até mesmo quem mal ouviu falar de mim nessa vida), sabe da minha paixão pela ÚNICA rainha de verdade da música pop. Sempre me policio para não bater na mesma tecla e acabar superexpondo essa minha admiração, disparando comentários sobre qualquer coisa que venha dela. Porém, quando acho um gancho, como o lançamento do CD/DVD da Sticky and Sweet Tour, por exemplo, ninguém me segura. A sorte é que não sou xiita e, por mais que admire o trabalho da diva, consigo enxergar seus defeitos e limitações. Fica o aviso, pois este é um post APAIXONADO sobre Madonna. E a paixão, como todos sabem, tem vários caminhos possíveis. Deixando de lado o lero-lero, vem pra cá, meu bem, viajar no doce universo deste ícone do pop.





Posso falar de cadeira sobre esse lançamento, pois, MENINOS, EU VI! Pela primeira vez em tantos anos de admiração, consegui (a duras penas financeiras), assistir a dois shows de Madonna. A primeira etapa da Sticky and Sweet Tour acabava por aqui, em dezembro de 2008, com cinco shows em território brazuca. Um pouco antes, Madonna visitou a América Latina, incluindo sua amada Argentina, onde filmou parte de Evita (1996), no roteiro: foi de terras portenhas que ela tirou o registro oficial da apresentação. Imaginem, então, que as emoções me confundem, e o que pude assistir na humilde tela de TV em casa se mistura a catarse do show ao vivo, temperada por suor, lágrimas e chuvas torrenciais. Junto do DVD, Madonna presenteia os fãs com o registro ao vivo da apresentação em áudio e recheia as bolachas com alguns extras interessantes (mostrando, inclusive, sua passagem pelo Brasil).





Baseado em seu lançamento mais recente, Hard candy (2008), a Sticky and Sweet Tour faz jus ao nome: é doce e grudenta. Madonna, pouco saudosista que é, surpreende ao aliar muitos sucessos antigos aos temas mornos do disco em questão. A rainha, sentada em um trono como lhe é de direito, começa o show com Candy shop: é o início do bloco Pimp. Em sequência, Beat goes on, com vocais de Pharell e Kanye West, Human nature, com participação de Britney Spears no telão, e um mash-up de Vogue e 4 minutes. As luzes se apagam e uma Madonna visivelmente plastificada entra no ringue em telões gigantescos de LED. É o remix de Die another day (a única música do renegado American life a entrar na set list).





A suposta “sofrida escalada ao estrelado”, que Madonna enfrentou em Nova York no início dos anos 1980, dá início ao segundo bloco. Vestida de garotinha (Não, Tia, não faça mais isso), ela reverencia a década perdida com Into the groove, sucesso de 1985. Grafites de Keith Harring completam a homenagem. Depois é a vez de Heartbeat e Borderline, essa última, um clássico, totalmente deturpada com a fracassada tentativa de Madonna em posar de rock star (Porra, Tia. De novo?).





A próxima faixa, She’s not me, é minha xodó. Nas telas, imagens icônicas dos quase 30 anos de carreira da musa seguem o ritmo da música (vídeo abaixo). De óculos de coração e casaco com seu nome bordado, ela enfrenta quatro drag queens vestidas como ela em diferentes fases: Material girl, Like a virgin, Open your heart e Express yourself. Depois de um ataque epilético, Madonna, em êxtase, embala uma nova versão de Music.





O próximo bloco, Gypsy, tranquiliza a audiência com um medley de Rain, da rainha M, com Here it comes the rain again, do Eurythmics. Em cima de um piano, Madonna é cercada por uma estrutura de telões que reproduzem imagens de chuva em Devil wouldn’t recognize you. Depois é a vez de uma pegada latina, outra marca registrada de Madge em suas turnês: Spanish lesson e La isla bonita. Intimista, pega no violão em Miles away, na belíssima You must love me e em Don’t cry for me, Argentina, um presente dado ao país que sediou o show do DVD. Inebriada por seu recente engajamento político, o vídeo que abre o quarto bloco, intitulado Get stupid, mostra Madonna reclamando dos mandos e desmandos de figurões do mundo, enaltece personalidades politicamente corretas (Viva Oprah!) e critica o aquecimento global e outros temas pertinentes. É hora de apertar o flash forward. Após este momento importante (Zzzz), a Tia chega vestida de Jaspion em versão anime cibernético, com o hit 4 minutes. Logo embala Like a prayer com Feels like home, do Meck com participação de Dino. Na sequência, tediosas versões de Ray of light e Hung up. Give it 2 me fecha o jogo, Game over e acabou.





Em retrospecto, mesmo sendo a única das turnês da diva que eu tive o prazer de conferir ao vivo, a Sticky and Sweet deixa a desejar. Não tem o frescor da Virgin Tour (1985), a capacidade vocal da Who’s that girl (1987), a polêmica da Blonde Ambition (1990) ou a criatividade da Confessions (2006). Traçando um paralelo com o nome da turnê, parece que Madonna mascou suas outras empreitadas nos palcos e, como aquele chiclete que perdeu o gosto, tacou no açúcar e botou na geladeira. Falta a contestação autêntica, a polêmica marota e a graça em fazer algo menos ensaiado e mais do coração. Tirando isso, alguns outros aspectos positivos são inegáveis, como a incrível produção, o preparo físico da diva e um conceito de show que cumpre seus propósitos de entreter, pintando e bordando com o pop e, por que não?, com a própria imagem de Madonna. Falem o que quiserem falar, eu não vou bater neurose, mas, acreditem – nobody does it better than her.








MADONNA – STICKY AND SWEET TOUR
Madonna. DVD do show, gravado em Buenos Aires (Argentina) + CD com 12 faixas ao vivo. Warner.
http://www.madonna.com
****


PS: Se você tem algum dinheiro sobrando, vale a pena adquirir o livro da turnê (não confundir com o tour book). São 308 páginas de fotos feitas por Guy Oseary, empresário e braço direito da rainha, durante todo o percurso na estrada. Guy já havia registrado a Confessions Tour, em volume editado em 2008.





PS 2: O elenco de Glee, a série mais bombada da temporada nos EUA, se vestiu de Madonna para um editorial da revista TV Guide. A sessão de fotos serve como prévia para os fãs do programa, que terá um episódio só com músicas de Madonna em breve. O projeto, aliás, vai virar um EP com sete faixas.





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3 respostas para A fantástica fábrica de doces da rainha

  1. Ed disse:

    Adoreeeei o Post! Madonna é a prova viva da perseverança no mundo pop. Mundo que costuma ser tão reciclado com o passar dos anos.

    Creio que algumas melodias da turnê foram massacradas pelo uso de riffs de guitarra e muito vocal mistrado.

    Mas não há como negar.

    Madonna is the Bling-BlingMotheFockerQueenofUniverse

  2. art disse:

    só penso q a turne foi incrível
    uma das melhores do mundo nao tem oq se reclamar
    mas na qstao do vocal creio q madonna nao deveria ter escolido borderline nem heartbeat pois com as atividades de heartbeat madonna nao conseguiu chegar nas notas finas e acabou deixando o playback do fundo cantar várias x e desafinando bruscamente
    mas enfim… foi uma turne surpreendente e fantástica

  3. art disse:

    sem falar q a madonna estava mto bonita

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