Rapte-me, camaleoa

Eu não dou conta de Meryl Streep. De verdade. Para mim, um filme com Meryl não tem como ser ruim (assim como qualquer coisa que Jack Nicholson faça, até uma entrevista, merece ser assistida com prazer). Não que prêmios consigam medir o talento de alguém, mas dá para perceber que ela não foi indicada a 15 (isso mesmo, QUINZE) prêmios Oscar à toa. E segura, Berenice: é bem capaz que a 16ª indicação não demore a vir.


Meryl é uma das estrelas de… Peraí. Meryl é A estrela de Julie & Julia, comédia romântica de Nora Ephron, em cartaz nos cinemas. Amy Adams que me desculpe, mas com uma estrela do porte de Mrs. Streep no elenco, não há quem não vire coadjuvante.





Na açucarada película, a baixinha Meryl, de apenas 1.68m, cresce a olhos vistos ao encarnar a grandalhona Julia Child, co-autora de Mastering the art of french cooking, uma das bíblias culinárias das norte-americanas que desvenda os segredos da cuisine française. Esposa de um adido cultural residindo em Paris, vivido por Stanley Tucci, Julia, ex-funcionária do governo com todo o tempo pela frente, resolve se arriscar nas artes culinárias francesas.


O que seria um hobby virou ganha pão e a desengonçada senhora começou a ganhar a vida com aulas, livros e até mesmo um programa de TV. Em paralelo, na Nova York de 2002, pós 11 de setembro, Julie Powell, uma atriz/escritora frustrada que trabalha em uma agência de seguros, resolve mudar sua vida ao montar um blog e, no período de um ano, executar mais de 500 receitas de Julia Child.





Motivos para gostar do enredo não me faltam. Blogueiro? Check. Glutão? Check. Em busca de um sentido para a vida? Sempre. Mas nem só disso vive um bom filme. A cineasta Nora Ephron (Sintonia de amor, Mensagem para você) une as duas histórias de maneira um pouco irregular e as vezes até mesmo longa (e olha que I just can’t get enough of Meryl Streep). Deve ser pela mania insuportável do cinema de transformar mulheres decididas, sarcásticas e irônicas da literatura em figuras totalmente imbecis e passionais na tela grande. É o jogo da comédia romântica. Fazer o que?


Melhor ler os livros Julie & Julia, da verdadeira Julie Powell, e Minha vida na França, de Julia Child com Alex Prud’Homme, bases do roteiro da fita. De qualquer maneira, leves como um créme brûlée e sofisticados como um Boeuf Bourguignon, tanto o filme quanto o (s) livro (s) merecem ser devorados e degustados do mesmo jeito de uma boa refeição. Sem culpa nenhuma.





JULIE & JULIA (Livro)
De Julie Powell (2009). Tradução de Alice França. 1ª Edição. Editora Record. 350 páginas.


JULIE & JULIA (Filme)
(Julie & Julia, EUA, 2009). Direção: Nora Ephron. Com Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Jane Lynch e Mary Lynn Rajskub.


MINHA VIDA NA FRANÇA
De Julia Child com Alex Prud’Homme (2009). Tradução de Celina Falk-Cook. 1ª Edição. Seoman. 352 páginas.


PS: Meryl Streep volta às telonas, this holiday season, com It’s complicated, mais uma comédia de Nancy Meyers (do delicioso Alguém tem que ceder). Para marcar no calendário.



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