Nem só de “Game of thrones” vive o homem…



Chegou o fim do ano, hora de aproveitar o recesso ou as férias para assistir todas aquelas séries que o mundo inteiro recomendou e você ainda não viu!


Mas peraí. E quem tá com tudo em dia? Esperando o retorno dos programas favoritos do hiato de Natal? No aguardo de uma nova temporada ainda em produção? E Game of thrones, que só volta em 2019?


Calma, galera. Sem ninguém pedir, o Loz Engelis preparou um guia para você não desgrudar da tela da TV e, de quebra, aproveitar para sair da caixinha com narrativas diferentes e interessantes.


Segue um simpático top cinco.


Bron/Broen





Um corpo encontrado pela polícia une dois detetives em investigação para descobrir quem é o assassino e resolver o caso. Não parece novidade, né? Afinal, nove entre dez filmes de suspense começam assim, desse jeitinho.


A série Bron/Broen também se aproveita desse infindável recurso de enredo. Porém, a novidade da produção é a seguinte: o crime misterioso acontece numa ponte, especificamente na que divide os territórios de Suécia e Dinamarca. Por esse detalhe geográfico, Saga Norén (Sofia Helin), do lado de Malmo, e Martin (Kim Bodia), representando Copenhage, são obrigados a trabalharem juntos.


Para temperar ainda mais a trama, os novos colegas são diferentes como água e óleo. Ela é inteligente, prática, determinada, mas falta-lhe empatia. Já ele pode ser impulsivo, estourado e afetado pelos problemas do trabalho ou familiares. Ao perseguirem um facínora implacável, Saga e Martin vão tentar se entender e compreender o universo um do outro.


São três temporadas completas e a quarta estreia agorinha, em janeiro de 2018 (quem exibe no Brasil é o canal Mais Globosat). O sucesso foi tanto que o programa ganhou outras versões pelo mundo – The bridge, que substitui o cenário original pela divisa dos EUA com o México, e The tunnel, ambientada entre França e Inglaterra.







Six feet under





Em uma dessas fatalidades da vida, Nathaniel Fisher (Richard Jenkins), dono de uma casa funerária, morre após sofrer um acidente de carro na véspera do Natal. É quando Nate (Peter Krause), filho dele, volta para casa. O que o rapaz ainda não sabe é que, ao enterrar o pai, herdará dele este ofício inusitado, cuidando dos preparativos da última jornada de outros falecidos. Tudo isso em meio a uma família ligeiramente disfuncional composta da matriarca histérica e melancólica (Frances Conroy), do irmão gay (Michael C. Hall), tabu entre os Fisher, e de Claire (Lauren Ambrose), a mais nova, completamente perdida na vida. O cenário fica ainda mais complicado com a presença da misteriosa Brenda (Rachel Griffiths), uma paixão fulminante.


Com essa temática indigesta, o programa poderia ser um drama com D maiúsculo. Mas só se não tivesse a assinatura de Alan Ball, autor do roteiro de Beleza americana e também criador de True blood.


Sempre achei que Six feet under, contemporânea de outros sucessos da HBO como The Sopranos e The wire, foi meio deixada de lado pelo público e não é reverenciada como merece. Espero que agora, no serviço on demand do canal, mais pessoas descubram essa joia da TV: cinco temporadas, cada uma com pouco mais de dez episódios, mesclando a dose certa de tragédia, humor negro e algumas pitadas de nonsense. Ah, e para completar, a série ainda tem a melhor cena final de todos os tempos na televisão gringa, sem sombras de dúvidas. Sério mesmo. Prepare os lencinhos e don’t stop believin’







The good fight





Eu sempre enchia a boca para falar que The good wife ocupava o posto de melhor série da TV aberta americana. E realmente era. Aí veio o sétimo e último ano da parada. Sofrível. O series finale, então… Sem comentários. Pouco tempo depois, descobri que iriam fazer um spin-off e bradei sozinho: “Me incluam fora dessa, não vou assistir”. Deu dois meses e eu já tava vidrado, sem conseguir parar The good fight.


Produção exclusiva para a internet da CBS All Access, a série foca em Diane Lockhart (Christine Baranski), uma das personagens principais e mais queridas da trama original. Depois da derrota de Hillary Clinton nas urnas, a advogada resolve que é hora de se aposentar e sair vazada da América reaça que todos sabiam que viria com a era Trump. Acontece que todas as suas economias foram para o ralo devido a um investimento fraudulento. Para piorar, Maia Rindell (Rose Leslie), filha do muy amigo que sumiu com as verdinhas dela, chega com o Vade Mecum na mão na melhor pegada “Oi, dinda, lembra que eu ia ser sua pupila na empresa?”. Sabe de nada a menina, menos que o Jon Snow, bichinha (explicando a piada: ela também viveu a Ygritte em Game of thrones).


O jeito é a dupla, fu e mal pa, arregaçar as mangas e começar quase do zero em outra companhia, comandada por Erica Tazel e Delroy Lindo. Para os fãs mais ardorosos de TGW, além de Diane, voltam ainda Lucca Quinn (Cush Jambo), David Lee (Zach Grenier), Marissa (Sarah Steele), a filha do Eli Gold, e outros personagens em participações especiais, tais como Mike Kresteva (Matthew Perry) e Elsbeth Tascioni (Carrie Preston). Por enquanto são dez episódios disponíveis, todos eles ainda muito adultos, com toda a liberdade que a grande rede mundial de computadores pode oferecer.







Master of none





Até pouco tempo atrás eu não conhecia o trabalho do Aziz Ansari. Tá, sabia que ele tinha feito Parks and recreation, mas só. Não tinha ideia de que o cara também era um produtor, roteirista e diretor de mão cheia. Descobri isso tudo ao assistir Master of none, da Netflix, que conta com o nome dele também nos créditos como ator principal.


Apertei o play meio descrente. Apesar de possuir um humor muito simples, até pastelão, com relação ao mundo do entretenimento sou bem exigente. Não é qualquer coisa que eu acho graça, não. Talvez isso tenha gostado tanto dessa série. Parece uma comédia. Mas não é. Obviamente, vindo Aziz do universo dos stand-ups, com tiradas rápidas e sarcásticas, em alguns momentos eu tenho que clicar no pause de tanto rir.


Só que, no geral, o tom de Master of none é um pouco agridoce, bonito de se ver (tem Nova York, cinema italiano, a porra toda), de se ouvir (uma trilha sonora incrível) e de se entender (principalmente quando aborda questões de cunho político pintadas em tons cômicos). O mote apresenta Dev, um aspirante a ator de 30 e poucos anos. Ao lado dos amigos, um descendente de orientais (Kelvin Yu), um homem super alto e fofo (Eric Wareheim) e uma negra lésbica e engajada (Lena Waithe), ele luta para encontrar seu lugar ao sol, lidar com questões pessoais e… amar.


O que poderia ser o maior clichê do mundo ganha ares de novidade com a roupagem mega sofisticada dos enxutos vinte episódios, estes divididos em duas temporadas. Só não aconselho a verem numa tacada só. Depois faz uma falta danada! Ah, sim. Também não veja com fome – ele vive comendo e é cada coisa gostosa…







Fargo





Os irmãos Joel e Ethan Coen, já bem quistos no mundo do cinema independente, ganharam destaque no mainstream em 1996 com o hoje cult Fargo – na sinopse, um cara qualquer, insatisfeito com a vida medíocre, mandava sequestrar a própria esposa e se metia em uma “comédia de erros”, como bem classificou o subtítulo brasileiro da fita.


Quase duas décadas depois, nessa onda de reboots e sequências da indústria cultural americana, alguém teve a ideia de transformar a produção em série de TV. Muita gente deve ter pensado que ia dar merda. Mas o tempo passou, as temporadas ganharam elogios e seguiram indicadas nos maiores prêmios do métier… E não é que presta?


Sem querer copiar o filme original, o programa do FX faz uma releitura da trama em modo de antologia, ou seja, com uma temporada diferente da outra. A única coisa que as une é o cenário, presente na película original, uma imensidão branca no intenso inverno do estado de Minnesota. E, claro, um clima de mistério bem humorado.


Na temporada de estreia, esse universo abriga Lester Nygaard (Martin Freeman), um tipo banana de tudo, mas cansado de ser tomado como idiota, principalmente pela esposa. Quando ele encontra um homem esquisitão (Billy Bob Thornton) que propõe o assassinato de seus muitos desafetos, as coisas começam a desandar. Entram ainda nessa equação uma policial desacreditada pelo chefe (Allison Tolman), um outro agente de polícia medroso (Colin Hanks), uma ex-stripper gananciosa (Kate Walsh) e uma dupla de criminosos meio Jay e Silent Bob (Adam Goldberg e Russell Harvard).


A boa notícia é que as três temporadas de Fargo entraram no catálogo da Netflix agora em dezembro. Eu só assisti o primeiro ano até agora, mas mal posso esperar para ver o resto!







Crédito das imagens: VideoBlocks, Blah Cultural, Série Maníacos, CBS, Flickering Myth e IGN Brasil.

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Ensaio sobre a cegueira



“Nós apenas queríamos deixar o mundo melhor”, diz o algoz à sua vítima. “Melhor?”, ela pergunta. Ele responde: “Melhor nunca significa melhor para todo mundo. Sempre significa pior para algumas pessoas”. O diálogo pode muito bem servir como resumo de The handmaid’s tale. Mas de simples a série do serviço on demand Hulu e um das surpresas da temporada com 13 indicações ao Emmy 2017 não tem nada.


Em um futuro não muito distante, a sociedade americana como a conhecemos hoje se acabou. As intervenções humanas na natureza causaram desastres consideráveis. Um dos infortúnios trazidos por esse cenário é a queda vertiginosa nas taxas de natalidade. Para reverter o problema, cria-se um novo país em que a Bíblia sobrepuja-se à constituição. Os homens passam a dominar os mais altos setores políticos. Ao invés de carros voadores, uma ditadura. É mais Black mirror do que Blade runner.





Médicos e professores são perseguidos, livros são queimados, igrejas destruídas, gays e outros “inimigos” da nova ordem recebem a morte como punição. Às mulheres férteis, grupo demográfico raro, é reservado o papel de aia. Elas são inseridas nas famílias abastadas e estupradas para gerar filhos e repovoar o planeta em crise. Vigiadas o tempo todo, até mesmo umas pelas outras, as serviçais usam vestes vermelhas coroadas por um chapéu que as impede até mesmo de olhar para o lado.





Essa distopia é o lar de Offred, a protagonista da história. Casada, feliz e mãe de uma menininha, ela viu seus direitos serem retirados aos poucos junto de toda uma América paranoica, amedrontada e confusa. Antes editora, agora aia, Offred é separada da própria família para servir aos figurões da República de Gilead, os novos EUA.


Caso você resolva se aventurar pela série, aconselho uma proteção digestiva. É preciso ter estômago. Fígado! As mulheres aparecem subjugadas, humilhadas, renegadas. As cenas são fortes, o tema é pesado, a injustiça dói. Porém, nada é colocado de forma gratuita apenas para chocar, gerar buzz ou alavancar a audiência. Baseados no livro O conto da aia (1985), de Margaret Atwood, também produtora da série, os episódios prezam pelo bom texto, direção de arte, figurinos e fotografia acertadíssimos e uma delicadeza agressiva na hora de abordar os temas mais espinhosos.





Outro ponto que merece destaque é a direção. Ainda se fala muito em Hollywood sobre a falta de oportunidade para mulheres no cinema, principalmente escrevendo filmes ou comandando os sets (falamos um pouco sobre isso no post sobre Feud, lembram?). Foi um alívio observar a cada crédito final que as mulheres dominaram o “directed by” da série – dos 10 episódios da primeira temporada, oito foram dirigidos por nomes ainda pouco conhecidos como Reed Morano a outros já com bagagem completa, caso de Kari Skogland, que tem episódios de Queer as folk, The killing e House of cards no currículo, e Floria Sigismondi, conhecidíssima pelo trabalho em clipes musicais.





O elenco também merece todos os créditos por engrandecer a produção. Muitos irão se surpreender, por exemplo, com Alexis Bledel. A girl next door de Gilmore girls interpreta uma das aias sofridas que acaba virando amiga de Offred. Samira Wiley, a Poussey de Orange is the new black, é Moira, amiga da protagonista desde quando o mundo ainda era o que era antes. Madeline Brewer, a Tricia, ex-colega de cadeia de Samira em OITNB, agora arrebenta no papel de uma jovem perturbada.





Do lado “ruim da força”, Ann Dowd vive tia Lydia, uma misto de pastora, treinadora e juíza das mulheres da comunidade, enquanto Yvonne Strahovski (Chuck, 24 horas: Live another day, Dexter) interpreta Serena Joy, o Nemesis de Offred (e você vai amar odiá-la, acredite). Dentre os personagens masculinos estão O Comandante, vivido por Joseph Fiennes, e o motorista Nick (Max Minghella).





Todos os atores estão ótimos. Mas eles que me desculpem: The handmaid’s tale é todinho de Elisabeth Moss. O trabalho dela, nunca exagerado ou caricato, transmite todas as nuances dramáticas de Offred. E ainda entrega uma protagonista daquelas de novela – você tem vontade de acolher quando ela sofre, dar um sacode quando ela vai fazer alguma burrada, ajudar depois que ela passa um perrengue… Para quem acompanhou Elisabeth em sete temporadas de Mad men, como eu, fica a chance de ver uma atriz excelente subir as apostas. Estou cada vez mais curioso para começar a ver Top of the lake, produção também estrelada por ela e que vai ganhar novos episódios ainda este ano.





Depois dessa chuva de elogios, preciso fazer um mea culpa. The handmaid’s tale tem, sim, um grande defeito: ela se parece demais com a realidade em alguns aspectos. Acha exagero? Olhe ao redor. Nós, brasileiros, fomos testemunhas de mais um show de horrores ainda ontem (2/8). Cargos, medidas provisórias e verbas no orçamento foram moeda de troca para que os nossos deputados livrassem o presidente do pais de uma investigação por corrupção passiva. Não parece uma nova ordem? Infelizmente não para por aí.


O machismo se assume sem a menor vergonha, o racismo é exaltado, a raiva à comunidade LGBT saiu de vez do armário. Duvida? Leia os comentários dos sites de notícias, os tweets preconceituosos, o ódio em posts de Facebook com letras garrafais, nome e sobrenome… Vivemos tempos em que figuras como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Vladimir Putin e Donald Trump ganham cada vez mais visibilidade. Tempos em que a bancada evangélica da Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde mora este que vos escreve, derrubou recentemente uma lei anti-homofobia…


Mas, lembrando aqui de The handmaid’s tale, a ironia é a seguinte.


Em um mundo injusto, desolador e aparentemente infértil, ainda há espaço para que nele cresça a esperança, se gere a compaixão e vingue o ardente desejo de lutar. Como bem diz a protagonista da série, “eles nunca deveriam ter nos dado uniformes se não quisessem que a gente formasse um exército”.


Nolite Te Bastardes Carborundorum.


(Não entendeu? Assista a série!)







Crédito das imagens: Screen Rant, Nerdist, Refinery29, Curbed, Business Insider e The Independent.

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Crime verdadeiro



Eu tinha sete anos quando assisti O silêncio dos inocentes. Era o meu primeiro filme “de adulto”. Posso não ter entendido tudo como uma pessoa crescida de verdade, mas naquele momento troquei de vez as belas adormecidas e pequenas sereias pelas Clarice Starlings.


A partir daí, não há nada que me atraia mais do que um bom suspense. Principalmente se nele estiverem envolvidas tramas crimes e investigações. Pode ser no cinema, TV ou literatura (mesmo eu sendo um medroso que, por exemplo, só assiste a filmes que dão medo se tiver alguém em casa e, de preferência, durante o dia claro).


Conforme fui ficando mais velho, esse gênero continuou a me fascinar. E uma ramificação dele me deixa de cabelo em pé: o “crime verdadeiro” ou “true crime”. É só botar um BASEADO EM FATOS REAIS antes dos créditos que eu me escondo debaixo do cobertor cantando Xuxa em voz alta! Quem também curte esse gênero não pode perder The keepers, nova série documental da Netflix.





Dividido em sete partes com pouco mais de uma hora cada uma, o programa se aprofunda em um mistério de quase 50 anos.


Em novembro de 1969, a freira Cathy Cesnik deixou o apartamento em que dividia com outra religiosa para comprar um presente de noivado para a irmã. Ela nunca mais foi vista com vida. Dias depois, o corpo dela foi encontrado em um terreno baldio.


Ao assistir o primeiro episódio, pode até parecer que a solução deste crime pode ser simples. Alguém que estava no lugar errado e na hora errada. Porém, o assassinato de Cathy é o ponto de partida para uma intrincada trama com segredos da igreja, acusações de abuso sexual e teorias secretas. As amigas Gemma Hoskins e Abbie Schaub capitaneiam o time que volta a investigar os mistérios do colégio Archbishop Keough.





The keepers, dirigido por Ryan White, mostra tragédias dolorosas e pessoais, e merece ser assistido justamente pela maturidade da narrativa, mostrada sem pieguices ou recursos que infantilizam o espectador.


Outro ponto que fascina no documentário é a construção dele, semelhante a de uma bem escrita história de ficção – as histórias são explicadas de maneira quase didática, mas com edição intrigante. Ao fim de cada episódio há sempre um gancho para deixar aquele gosto de “quero mais”. Tudo isso pontuado com uma certeira direção musical de Blake Neely.





Mas se prepare. Mesmo para muitos de nós, “especialistas” em crimes, assassinatos e tramas de detetive no mundo da ficção, uma coisa é certa.


Nada é mais assustador do que a vida real.





Aproveitando o ensejo do tema, segue uma pequena listinha com ótimos nomes para quem quiser se aprofundar no gênero “true crime”. Tem documentários, claro, mas também livro, séries e filmes inspiradas por assassinatos reais. Aproveite. E curta tudo de luz acesa.




O silêncio dos inocentes (1991)





Nesta adaptação cinematográfica do livro de Thomas Harris, a jovem agente do FBI Clarice Starling, interpretada por Jodie Foster, é incumbida de entrevistar Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), um sádico serial killer canibal.


As conversas têm como objetivo obter mais informações sobre Buffallo Bill, o assassino de mulheres que costuma “esfolar as suas reses”. Este personagem lembra muito uma figura real: Ed Gein, psicopata americano da década de 1950. O rapaz tinha o costume de fazer roupas e artefatos usando pele humana.


O suspense acabaram virando franquia, o que garantiu a sequência, Hannibal, duas prequels, incluindo uma sobre as origens do canibal, e uma série de TV (isso sem contar Caçador de assassinos, produção obscura dos anos 1980 onde Lecter, vivido por Brian Cox, aparece pela primeira vez).







Psicose (1960)





Ed Gein também foi “tema” do mais famoso filme de suspense da história do cinema. O rapaz “transformou-se” em Norman Bates pelas mãos do escritor Robert Bloch e o diretor Alfred Hitchcock escolheu a obra literária para dar uma guinada na carreira. Psicose foi sucesso de bilheteria e ganhou vida longa com sequências não tão brilhantes décadas depois do original, uma dispensável refilmagem em 1998 e, mais recentemente, uma prequel na TV, Bates Motel, essa, sim, que vale a pena ser assistida.







Zodíaco (2007)





San Francisco, a capital hippie da América na década de 1960, mostra seu lado obscuro nesse suspense dirigido por David Fincher. É na cidade californiana que um assassino começa uma jornada de matança e violência. Para se vangloriar de seus crimes e assustar a polícia, ele começa a escrever uma série de cartas para um jornal da cidade.


Nas mensagens, assina como Zodíaco, um dos serial killers mais misteriosos da história criminal americana. Robert Graysmith, ilustrador da gazeta local que recebia as mensagens do psicopata, contou essa história em livro.







Amanda Knox (2016)





Uma bela americana resolve passar uma temporada na Itália para estudar. Os tempos idílicos de descobertas e diversão transformam-se em pesadelo quando ela encontra a companheira de quarto assassinada. Acusada do crime, a jovem é presa e, neste documentário da Netflix, abre o jogo sobre tudo o que passou.







Almas gêmeas (1994)





Na Nova Zelândia da década de 1950, duas adolescentes imaginativas e intensas desenvolvem uma forte amizade. Os pais delas, preocupados com o rumo dessa relação, resolvem intervir na ligação da dupla. É aí que elas deixam de vez o mundo real e partem para um universo paralelo onde um assassinato seria a melhor solução para o impasse.


Dirigido por Peter Jackson bem antes de O senhor dos anéis, o filme é a estreia de Kate Winslet no cinema.







American crime story: The People v. O.J. Simpson (2016)





Poucos anos antes do boom dos reality shows nos EUA, um evento real congelou os americanos em frente à TV em meados da década de 1990: o julgamento de O.J. Simpson. Acusado de assassinar a ex-esposa e um rapaz em um luxuoso bairro de Los Angeles, o esportista e dublê de ator esteve no banco dos réus diante de um país perplexo e dividido.


O produtor Ryan Murphy (American horror story, Feud) escolheu o caso para estrear sua nova antologia inspirada em famosos crimes americanos que ganhou, merecidamente, uma grande leva de prêmios. Créditos também para Jeffrey Tobin, autor do livro que inspirou a temporada televisiva. No ano que vem será a vez de relembrar outro caso emblemático: o assassinato do estilista Gianni Versace.







Making a murderer (2015)





Stephen Avery, morador de uma pequena cidade no interior norte-americano, é condenado por estuprar uma mulher da alta sociedade. Anos depois, com o avanço das técnicas de perícia, incluindo o exame de DNA, ele é inocentado e busca uma compensação do Estado pelas quase duas décadas que passou na cadeia. Só que ele volta para a cadeia, desta vez acusado de assassinato. Esta série documental da Netflix vai fundo no caso em dez episódios.







Serial killers: anatomia do mal





Guia indispensável para quem gosta do assunto. Com edição caprichada, da sempre competente DarkSide Books, a obra é um compêndio completo sobre o tema. Harold Schechter conta as histórias mais cabeludas, curiosas, desde a idade da pedra, passando por Jack, o Estripador, e chegando até outros nomes, famosos e anônimos. Meu único conselho é ler com reservas. É difícil não se chocar com tamanha violência retratada nas páginas deste livro.




Créditos das fotos: Mamamia, IMDb, Rolling Stone, IMP Awards, FreeDVDCover.com, Fanart.tv, Trailer Addict, AdoroCinema e Lojas Americanas.

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